Viajando pelo Brasil
 
Pictorial travel around the Brazil
Memory of the mid-twentieth century - 1950 circa
Eucalol series 256 a 279
Texto extraído do verso das estampas
Desenhos do artista Percy Lau
Das coleções do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro (série 270)

 
pag 03


Olaria


“No Estado do Rio de Janeiro, a olaria é uma industria típica . No interior do Estado ,as olarias vão produzindo tijolos ,telhas e vasos, de maneira ainda incipiente , conservando porém a tradição da arte popular do oleiro e do ceramista.”

 

A atividade artesã no Estado é bastante rica e expressiva. A cerâmica é um dos itens mais explorados e é no Município de Itaboraí onde se concentra a maior parte dos artesãos e das olarias - responsáveis, principalmente, pela produção de tijolos e telhas.

Nos diferentes estágios em que o barro se apresenta oferece ao homem aplicação vantajosa, a começar, naturalmente, pela construção da casa onde, como é sabido, sua utilidade não se limita somente às paredes toscas ou de alvenaria; na cerâmica rudimentar ou nos mais lavorados biscuits a argila tem uso freqüente, marcando algumas das principais atividades humanas. No fabrico de tijolos para construção, indústria próspera em todo o país, hoje altamente mecanizada nos grandes centros, os processos primitivos ainda empregados nos rincões mais afastados, onde a maquinaria e novas técnicas, em virtude do seu alto custo, não penetraram sensivelmente, permitindo se conservem quase sem modificações os rudimentos que a tradição vem transmitindo há vários séculos.

O local preferido para a instalação de uma olaria é o baixio ou brejo, cujos leitos rasos, mas cheios de material aluvionar, oferecem colheita fácil de boa matéria-prima, além de, pelo baixo nível do solo fornecer água em abundância, vantagem pela qual pode ainda uma olaria, apesar de situar-se em um vale, extrair barro de morros circunjacentes, como acontece repetidas vezes no estado do Rio.

 

Geralmente uma olaria dispõe de telheiros ou galpões, onde as peças cozidas são armazenadas, aí permanecendo resguardadas das intempéries até serem vendidas. Em grandes áreas de chão batido e limpo trabalha o oleiro, abaixando-se cada vez que maneja com agilidade de acrobata a "grade" onde o barro toma a forma do tijolo. O produto sai molhado e aos pares, permanecendo, até secar, sobre uma leve camada de areia que impede sua aderência ao solo.

À margem da área ocupada pelos tijolos recentes, chamada de "lastro", sempre fica o "barreiro", depósito de onde um ajudante retira, para suprimento constante do oleiro, o barro pronto para uso imediato. A extração é feita na véspera, ficando de molho os torrões durante a noite, para no dia seguinte, em saracoteio rítmico, o caboclo esmagá-los sob os pés até obter uma pasta vigorosa que a água amolece e torna fugidia. À medida que trabalha o oleiro, o "lastro" se assemelha a um tabuleiro de xadrez pela regularidade dos tijolos dispostos em linhas paralelas e, enquanto os mais recentes aí se conservam, os tijolos enxutos vão sendo arrumados em pilhas longitudinais nas extremidades, recebendo essa arrumação provisória, ligeira proteção de palha. Antes de serem arrumados para a queima, os tijolos são "desbarbados", tarefa que consiste em raspar com facas rústicas, sem gume, as rebarbas deixadas nas arestas, e que é executada por menores.

Nas olarias mecanizadas, a peça que mais se distingue é uma prensa movida por um boi, o qual, girando em torno de um eixo, arrasta pesado cepo que vai esmagando o barro em substituição ao trabalho excessivamente cansativo em que se emprega, comumente, o ajudante do oleiro.

Na fabricação de tijolo se alinham três fases que vão da preparação do barro ao fabrico propriamente dito e à secagem conseqüente, após o que são feitas as caieiras, tarefa que requer cuidados meticulosos. Desde a arrumação, que obedece a forma de um pirâmide retangular truncada e de inclinação suave, assentando sobre uma base vertical cuja altura permita a introdução da lenha necessária à queima, a caieira se apresenta como delicado problema cujos resultados dependem de fatores diversos; o vento, inclusive, tem sua influência, devendo sua direção atingir as bocas de fogo de modo a que o calor se distribua com uniformidade por todo o conjunto.
 

Os tijolos são cruzados uns sobre os outros até a altura conveniente, recebendo a parte externa do bloco um reboco que lhe dá aspecto inteiriço, sem frestas, para impedir que escape o ar quente. Depois de cozida durante três dias, a caieira é desmanchada, seguindo-se a remoção do tijolo é imediato e compensa o dispêndio requerido pela telha, produto onde a qualidade do barro, da lenha e mão-de-obra mais caros não oferecem grande atrativo. Subsiste, entretanto, o seu fabrico numa olaria, por cirscuntâncias óbvias. O tipo a que nos referimos é o vulgarizado como telha-vã ou colonial.

Fonte: http://www2.uol.com.br/debate/1265/regiao/regiao10.htm

É de consistência apurada, sem grão, o barro para telha, usando-se na sua confecção uma grade de ferro que só permite fazer-se uma peça de cada vez. O oleiro trabalha sobre um cavalete inclinado, tendo como apoio uma prancha comprida de madeira de onde a placa de ferro é empurrada para a forma definitiva, o "cágado", instrumento convexo e longo que tem uma das extremidades mais estreita, servindo esta particularidade para facilitar a junção de uma telha sobre a outra, sem deixar vazar a água. Do "cágado" é a telha removida para secadores suspenso, prateleiras ventiladas e à sombra, que permitem secagem lenta. As caieiras de telhas são fixas e podem ser utilizadas durante muitas vezes, pos sua construção é de argamassa, em formato de caixão e de muita resistência, cabendo-lhe mais propriamente o nome de forno de cremação.

Brasil adentro, as populações ainda erguem suas casas com tijolos e telhas das indústrias rudimentares, o caboclo porejando suor lustroso sobre o corpo que o sol queima, modelando placas de barro que o fogo endurece para, em agrupamentos sucessivos, fazer brotar do chão violento, muros e cidades.

Fonte: http://jangadabrasil.com.br/janeiro53/of53010c.htm
(Francisco Barbosa Leite, In Revista Brasileira de Geografia, ano 18, nº 1)


Tamanqueiro



“Um hábito muito característico do uso de tamanco, principalmente no interior. Também nas grandes cidades eles eram muito usados notadamente pelos operários, nas grandes fábricas e indústrias. No estado do Rio de Janeiro ficam localizados os maiores fabricantes em grande quantidade e os exportam para todo Brasil.”
 

O tamanco, em Portugal, de onde veio, ainda é chamado de tamancas, passando a masculino ao chegar ao Brasil. Um calçado grosseiro, feito de um só pedaço de madeira como solado e tiras de couro por cima para amoldá-lo e prender nos pés. Não houvera chegado ainda a era dos plásticos com as suas sandálias, e por isso, no tempo invernoso, ou nas ruas lamacentas das cidades e no massapé dos engenhos-banguês era muito comum usar-se o tamanco, que não deixava passar a menor umidade. O solado dos chinelos comuns, por mais grossa e resistente que fosse a sola, em pouco tempo dentro da água embebia-se e tornava-se mole e úmido. Não raro estava-se ouvindo dentro das residências:

— Tome cuidado, menino, que você se resfria. Calce o tamanco...

Não havia desdouro no seu uso. Tanto era utilizado na casa modesta, como no sobrado esguio ou no palacete do comendador. Tanto nas casas-grandes, como nas fábricas. Tanto o bodegueiro da esquina usava o tamanco, como o chefe de família dentro do lar. Tanto o utilizava a doméstica, a molequinha, como a patroa, a senhora, a sinhazinha, ao saírem do banheiro, ao ter, nos dias de chuva, que ir ao jardim, passar ao terraço, buscar o fundo do quintal. Nas senzalas é que não tinha vez. O negro escravo preferia os pés chatos, esparramados pelo chão, livres de qualquer proteção.

Durante algum tempo, o uso dos tamancos na praça ou no interior comprovou o baixo nível econômico da maioria das populações urbanas e rurais. Somente uma minoria se dava ao luxo das benfeitorias técnicas de uma civilização que já começara, no início deste século, empregando a borracha maciça em solados de sapatos, chamando-os de crepe-sólas. Para as demais famílias — médias, de operários, funcionários, pequena burguesia, remediada ou até mesmo abastada — os pesados tamancos de madeira eram de grande utilidade.

Haviam com os couros em cores vermelha, cinza, verde e azul, sendo alguns até com bordados desenhados. Os dois últimos eram usados por mulheres. Produziam um ruído característico ao se andar com eles dentro de casa: toc, toc, toc... muito comum, as avós reclamando dos netos, que enchiam a casa nas férias de fim de ano:

— Sustentem os pés, seus moleques... Que cavalhada é essa?...

Mas os meninos não se perturbavam, e a barulheira continuava dentro da casa-grande, calçando todos os seus tamancos: toc, toc, toc...

Comum era ver-se também, quase sem exceção, os velhos merceeiros, por trás dos balcões das suas vendas, retalhando as mantas de charque, pesando a farinha de mandioca, o feijão, retirando das latas, com uma colher de pau, a manteiga francesa Le Peletier, ou inglesa, varrendo a sala, arrumando as prateleiras, sempre calçando os tamancos, nas passadas abaixo e acima: toc, toc, toc...

Fonte: http://jangadabrasil.com.br/revista/junho79/pa79006b.asp


Volta Redonda



“Volta Redonda , a primeira e grande usina siderúrgica brasileira , está localizada o Estado do Rio de Janeiro . Seus grandes fornos , já em pleno movimento , deixam antever a próxima época gigantesca da industria do ferro , no Brasil.”

 

A CSN foi criada em 9 de abril de 1941 e no final deste ano começaram a chegar em Volta Redonda os primeiros trabalhadores incumbidos a construção da usina. Esses pioneiros foram abrigados em barracas armadas nos altos dos morros, enquanto eram construídos os acampamentos para as famílias operárias. Ao mesmo tempo, alojamentos coletivos se multiplicavam no interior da área industrial, aproximando os espaços do trabalho e da moradia.

O povoado se transformara em grande canteiro de obras, onde eram duras as condições de vida e de trabalho: insalubridade nos alojamentos, tarefas extenuantes, jornada de 10 horas, disciplina rígida no trabalho e casos de repressão e violência por parte da polícia da CSN, eram comuns naqueles tempos. Observe-se que o financiamento para a implantação da usina siderúrgica fora obtido junto aos Estados Unidos em troca do apoio brasileiro aos países aliados no segundo grande conflito mundial.

O Brasil estava em guerra e na CSN - considerada unidade fabril de interesse militar, por ser necessária à indústria bélica do país - os trabalhadores não tinham direito a férias, nem podiam se ausentar do trabalho por mais de 8 dias, sob pena de serem considerados desertores e se sujeitarem às leis militares. Em meio ao rigor daqueles tempos pioneiros cresciam a usina e a Cidade.

Em julho de 1946, com a primeira "corrida do aço ", a usina foi inaugurada e em maio de 1948, a linha de produção começou a operar em sua totalidade. Neste último ano, a CSN atingia a marca de 3003 casas entregues aos trabalhadores. A década de 40 conheceu considerável incremento populacional Forasteiros de diversas origens, e com diferentes interesses, se dirigiam a Volta Redonda.


Fiação de Seda Animal


“A sericicultura, a criação do bicho da seda , era bastante desenvolvida no estado do Rio de Janeiro. Os maravilhosos fios de seda produzidos nos casulos pelos insetos ,eram depois aproveitados na industria que os transformava em lindas sedas .”

 

Sericicultura é a criação do bicho-da-seda (Bombyx mori L.), visando a produção de casulos, do qual se extrai o fio de seda. Trata-se de uma atividade muito antiga, segundo consta na história teve início na China, por volta de 4600 anos atrás.

Os tecidos de seda, além de suas qualidades de maciez e beleza, têm boa condutividade térmica, o que faz com que sejam quentes no inverno e frios no verão.

A sericultura deriva-se do bicho-da seda, mariposa que se alimenta exclusivamente das folhas de amoreira. A mariposa desova entre 400 e 500 pequenos ovos, que se transformam em larvinhas de cerca de 1 mm.

Quando as larvas atingem o tamanho máximo de 70 a 80 mm de comprimento, em cerca de 30 dias, passam a produzir os casulos. Dentro do casulo, a larva se transforma em crisálida e com 10 ou 12 dias, esta se transforma novamente em mariposa.

O casulo é um novelo de fio que atinge entre 700 e 1200 metros. Para desfiá-lo, utiliza-se água quente a 60ºC a fim de dissolver a cola, chamada sericina. O fio então se solta fazendo com que a ponta seja encontrada.

A partir daí, coloca-se a ponta numa máquina que enrola o fio e faz a meada. Juntando os fios de várias meadas faz-se um fio mais grosso, que é utilizado para a fabricação dos tecidos.

As empresas produtoras de fio possuem um departamento de matéria-prima responsável pela sementagem, ou seja, produção do bicho-da-seda, através de chocadeiras que produzem as larvas.

As larvas ficam na empresa até a segunda idade - 7 dias. Depois são entregues aos produtores independentes, cerca de 12.000 criadores rurais, os quais são responsáveis pela criação do bicho-da-seda até a formação do casulo, levando nesta etapa entre 21 ou 28 dias. Em seguida, o casulo é vendido às empresas para a produção de fios.

Ao contrário das fibras químicas, como por exemplo o poliéster, o náilon e a viscose, os fios de seda apresentam algumas irregularidades que não podem ser consideradas como defeitos.

Por exemplo, o shantung de seda pura é obtido através de fios com flamas (pontos mais grossos e caroços) bastante irregulares. Estes fios, denominados dupions, são obtidos quando duas lagartas formam um mesmo casulo, sendo um fio especial e raro, portanto com um preço bem elevado.

Fonte: http://www.bndes.gov.br/conhecimento/setorial/is11seda.pdf


Colheita de Laranjas


“A cultura da laranja e uma das grandes fontes de riqueza do Estado do Rio .O município de Nova Iguaçu é o que possui os maiores laranjais que cobrem grandes áreas de terra .Sua produção e muito grande ,dando para suprir os mercados internos e permitindo ainda a exportação.”
 

"Quando era criança e ia de trem para o interior do antigo Estado do Rio, ao passar por Nova Iguaçu, logo na saída do ex-Distrito Federal, sentia o cheiro das laranjas que, de um lado e de outro da via férrea, invadia os vagões que perdiam o cheiro de fumaça das velhas locomotivas e ganhavam aquele perfume de sumo, de fruta fresca e encantada, dos imensos laranjais que nos acompanhavam por algum tempo. Era um cheiro bom, e além do cheiro, também era bom ver as laranjeiras verdes e pejadas de frutos cor de ouro. Tínhamos a impressão de que os laranjais nunca terminavam, eram imensos e eram eternos." (Carlos Heitor Cony, Laranjas de ontem e de hoje, 27/07/2004)

Durante o período dos grandes laranjais, o Rio de Janeiro foi um dos maiores produtores do Brasil, exportando muita laranja para os Estados Unidos e até para a Europa.

Entretanto, a eternidade dos laranjais era só impressão. O declínio da cultura da laranja ocorreu devido a praga da mosca mediterrânea que ocasionou o apodrecimento dos estoques durante a época da II Guerra Mundial, a partir daí a praga se desenvolveu tornando-se incontrolável.

Fonte: http://www.historiaecia.hpg.ig.com.br/textos.htm



Estrada Rio-Petrópolis



“Entre vales e montanhas, descortinando panorama belíssimo está localizada a cidade serrana de Petrópolis .Cidade moderna , dotada da auto-estrada Rio – Petrópolis , esta linda cidade fluminense é muito procurada pelos veranistas , graças ao seu clima saluberrimo e o seu panorama maravilhoso.”
 

Em 1926, o então presidente da República, Washington Luiz, declarava à Nação, o que era necessário construir uma nova estrada de rodagem entre o Rio de Janeiro e Petrópolis. Na Época, o País possuía uma frota de aproximadamente 94 mil automóveis e 38 mil caminhões, sendo que a maior parte estava concentrada no Estado do Rio de Janeiro. A medida tornou-se urgente e prioritária, principalmente, após a imprensa criticar o abandono do caminho rumo à Cidade Imperial. Munidos de picaretas, pás, enxadas e carrocinhas de burros, comandados por renomados engenheiros, os operários enfrentaram adversidades como o surto de malária na Baixada e o frio da serra. No final dos anos 20 estava pronta a primeira rodovia asfaltada do País.

Mais tarde, os 22 km da serra receberam revestimentos de concreto. Primeira rodovia asfaltada do Brasil, a Rio-Petrópolis foi inaugurada em 1928, quando existiam no Rio de Janeiro (estado e Distrito Federal) 13.252 automóveis e 5.452 caminhões.
Durante muitos anos, foi considerada a melhor rodovia da América do Sul.

Ainda sem a Av. Brasil, a então capital do País tinha na estrada Rio-Petrópolis a sua principal via de acesso terrestre. Note que o tráfego da rodovia passava diretamente à Av. dos Democráticos (Bonsucesso), e prosseguia pela Av. Suburbana, Av. S. Luiz Gonzaga, Rua Figueira de Melo (S. Cristóvão) e daí à Av. Rio Branco, no Centro, pelas ruas Senador Eusébio ou Visconde de Inhaúma, já que também não existia a Av. Presidente Vargas, inaugurada somente em 1944.

Esse era um dos principais trajetos para se chegar da Zona Norte ao Centro. Nem dá para comparar com as pistas das linhas coloridas (e metralhadas) de hoje.

 

Outros caminhos eram pelas Av. Amaro Cavalcante, 24 de Maio e S. Fco. Xavier (Tijuca) e pelas Conde de Bonfim, Almirante Cochrane e Mariz e Barros (Praça da Bandeira). Ambas levavam à Visc. Inhaúma ou Sen. Eusébio e daí à Av. Rio Branco.

Em 1946, com a construção da Av. Brasil (na época conhecida como "Variante Rio-Petrópolis"), em grande parte sobre aterros no trecho da orla da Baía de Guanabara entre o Caju e Ramos, o início da estrada Rio-Petrópolis recuou para os arredores da posição atual.


Mapa rodoviário de acesso ao Rio de Janeiro, 1940
http://serqueira.com.br/mapas/riopetrop.htm


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