Viajando pelo Brasil

Pictorial travel around the Brazil
Memory of the mid-twentieth century - 1950 circa
Eucalol series 256 a 279
Texto extraído do verso das estampas
Desenhos do artista Percy Lau
Das coleções do Rio de Janeiro

Santa Catarina (série 274)

 
pag 06


Cristal de Rocha

“No Estado de Santa Catarina há, em pleno desenvolvimento a industria do cristal. Já se fabricam nesse Estado vasos de cristal com absoluta perfeição e esmero . Dentro em pouco essa industria ira dominando os mercados e aperfeiçoando ainda mais seus produtos .”

 

O quartzo, também conhecido como cristal de rocha, é um mineral duro, normalmente vítreo, com qualidades piezo-elétricas.

Mineral mais abundante na crosta terrestre, o quartzo é sílica pura, cristalizada. É um formador de rochas (por isso predomina na composição da areia), mas também, conforme a variedade, é usado como amostra decorativa ou peça de colecionadores.

O cristal de rocha é o quartzo incolor; o quartzo esfumaçado é ligeiramente escuro. A ametista é o quartzo de coloração roxa. Quando aquecida, torna-se amarelada e por isso, muitas vezes é chamada erroneamente de citrino. Na verdade, o citrino é o quartzo natural amarelado. Calcedônia, jaspe e ágata são outras variedades de quartzo.
 

É encontrado com freqüência sob a forma de geodos, que são cavidades nas rochas revestidas por cristais.

Fonte: Minerais ao alcance de todos / [coordenação, edição, projeto editorial e gráfico BE~I;]


Embarque de Madeira

O porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina , registrou um recorde histórico na movimentação de contêineres . Segundo a administração do porto catarinense, o desempenho é fruto de investimentos realizados na infra-estrutura, bem como na aquisição de equipamentos tipo Móbil Crane, que trouxeram uma nova concepção nas operações de navios Full Contêiner modelo Gearless, que não dispõe de equipamentos de bordo. São Francisco do Sul é o único porto do estado que dispõe deste tipo de equipamento.


“O Estado de Santa Catarina possui grandes reservas florestais e a industria da madeira esta em franco desenvolvimento. Diariamente abatem-se grandes arvores cujos troncos são divididos em toros e conduzidos para o porto de embarque.”
 

Todavia, o impacto ambiental causado por esta atividade é inegável. Há 150 anos, Santa Catarina apresentava cobertura vegetal com mata nativa em 85% de seu território, recurso natural que hoje, em função do extrativismo desordenado que se instalou nas terras catarinenses, está presente em apenas 34% da área total do Estado.

Apesar das restrições impostas pela legislação ambiental, a mata nativa continua sofrendo devastação, que provoca consideráveis estragos de ordem ecológica. As agressões à cobertura vegetal nativa, basicamente acontecem devido a insuficiência de áreas reflorestadas capazes de garantir a extração de madeira para abastecer o mercado catarinense. Com consumo anual de 17 milhões de m3 de madeira e uma reserva reflorestada de 532 mil hectares, Santa Catarina necessita plantar 55 mil hectares de florestas por ano pra garantir a preservação da mata nativa. Acontece que apenas 25 mil hectares de reflorestamentos são implantados anualmente, o que representa um déficit de 30 mil hectares no mesmo período.

Fonte: http://an.uol.com.br/1999/nov/14/0ger.htm


Colheita de Uvas

Há cerca de 10 mil variedades diferentes de uvas, adaptadas a vários tipos de solo e de clima, o que possibilita o seu cultivo em quase todas as regiões do mundo. Sendo frutas bastante sensíveis às condições do solo e do clima em que se desenvolvem, as uvas variam muito de acordo com essas condições, apresentando características que as distingüem segundo o sabor, a acidez, a doçura, o formato, a coloração e a resistência da casca, o tamanho, a quantidade de sementes, a forma e o formato dos cachos.



“A produção de uvas, no Estado de Santa Catarina, atinge a um elevado nível. Nas suas colônias agrícolas os vinhedos vicejam e já se produz bom vinho. A colheita das uvas é sempre realizada com festas e é um costume típico na vida agrícola do Estado.”

 

Quanto ao seu emprego, basicamente, as uvas costumam ser divididas em dois grandes grupos: as uvas de mesa e as uvas para vinho e outros fins industriais .

Desde o começo do século os vinhedos começaram a serem instalados no sul e no sudeste do país, por imigrantes europeus alemães e italianos. Muitas cidades e 230 vilas foram criadas, muitas parreiras plantadas, modificando, definitivamente, as paisagens serranas e frias do Rio Grande do Sul. Ali se destacam os municípios de Flores da Cunha, Bento Gonçalves, Garibaldi, Santana do Livramento e Caxias do Sul como grandes produtores de vinhos de qualidade. Atualmente, além do Rio Grande do Sul, os Estados de Santa Catarina, do Paraná e de São Paulo (especialmente os municípios de São Miguel Arcanjo, Vinhedo e Porto Feliz) também produzem boas uvas.

Em Santa Catarina a colheita das uvas é sempre realizada com festas e é um costume típico na vida agrícola do Estado.


http://www.bibvirt.futuro.usp.br/especiais/frutasnobrasil/uva.html


Colheita de Algodão



“O algodão é um dos principais produtos da agricultura de Santa Catarina . Os advogados alvejam com seus capuchos magníficos atestando a fertilidade da terra e o trato agrícola .Colhido o algodão é abastecido o mercado do Estado e o excedente da safra era enviado a outros Estados”

 
O algodão constitui-se em importante atividade agrícola da economia colonial.
Antes da chegada dos portugueses os nativos já conheciam o algodão. Com a colonização, passou a ser usado na fabricação de tecidos para as roupas dos escravos.
 

A partir da segunda metade do século XVIII, devido à Revolução Industrial iniciada na Inglaterra, houve grande desenvolvimento na produção de tecidos na Europa, e o algodão passou a ser importante item de exportação.
Atualmente, o Brasil, que já foi um grande exportador mundial, encontra-se hoje na condição de segundo maior importador. Com uma produção estagnada na faixa de 500 mil toneladas de algodão em pluma e um consumo de 900 mil toneladas, o País tem recebido anualmente produto da Argentina, do Paraguai, dos Estados Unidos e, mais recentemente, de países africanos e asiáticos.
Os problemas causados pela infestação da praga do bicudo, aliado ao forte movimento de abertura da economia brasileira no início dos anos 90, provocou uma forte retração na produção doméstica e permitiu a entrada de importações subsidiadas. Em 1986, a tarifa de importação de algodão em pluma praticada pelo Brasil era de 55%, sendo reduzida paulatinamente até ser zerada em 1993, taxa que também passou a valer em definitivo para os parceiros do Mercosul. As importações de produtos altamente subsidiados nos países de origem contavam ainda com prazos de pagamento de até 360 dias e juros muito menores que os disponíveis aos produtores nacionais.

 
Após a reversão dos preços internacionais ocorrida no biênio 94/95 e a constatação do alto custo social decorrente do desemprego de milhares de famílias no norte do Paraná, que tinham no algodão uma das poucas alternativas para a pequena escala de produção de suas propriedades, o Governo brasileiro resolveu implementar medidas de apoio à cotonicultura nacional, elevando o preço mínimo, cobrindo 100% do VBC nos empréstimos oficiais e garantindo a elevação da alíquota de importação para produto de países de fora do Mercosul, em 1% ao ano, entre 1996 e 2000.

Fonte: http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/economia/agric/producao/algodao/


Colônia Agrícola

O Vale do Itajaí, ao norte da encosta catarinense, é a zona mais dinâmica de Santa Catarina: vales profundos, caracterizam essa área de colonização italiana e alemã. Blumenau é o maior centro industrial da região.

Implantada as margens do rio Itajaí por Hermam Blumenau encontramos a colônia de Blumenau que apresentou características próprias devido a escolha dos imigrantes que ocorreu devido as qualidades pessoais mas também principalmente quanto as aptidões no sentido de haver uma diversificação profissional, em decorrência encontramos as mais diversas profissões : havia agrimensor, carpinteiro, marceneiro, charuteiro, funileiro, ferreiros e lavradores (PIAZZA,1983). Havia uma predominância de artesões sobre lavradores talvez exista uma ligação com a tradição industrial que se estabelece na região. Por volta de 1859 já era significativo o número de engenhos de farinha, de açúcar, assim como a existência de alambiques, moinhos de milho, serrarias, fábrica de vinagre, de cerveja e olaria.


“As áreas rurais do Vale do Itajaí se distinguem pela agricultura adiantada e pelas industrias de fumo e laticínios. Nessas colônias produz-se também trigo, centeio, fumo ,cevada e frutas. As colônias agrícolas de Santa Catarina são um motivo de atração para o viajante em visita ao Estado.”

 

As suas atividades econômicas contribuíram para o desenvolvimento do mercado interno, já que a produção não era voltada para o mercado externo, desenvolvendo então o comércio nacional.

Com o passar do tempo Blumenau atrairá imigrantes de outras nacionalidades, italianos que migraram a partir de 1875 e eram provenientes do norte da Itália, o contrato celebrado em 1874 entre o governo Imperial e o Comendador Caetano Pinto Júnior é que efetivou a introdução destes imigrantes (PIAZZA,1983).

Em 1875, chegaram a Blumenau quase trinta famílias provenientes dos arredores de Trento, seguindo em direção ao vale do Rio do Cedros, daí nascia a localidade Pomeranos Santo Antônio que, aos poucos, foi recebendo outras levas de imigrantes e desta forma ocuparam todo o vale do rio dos cedros até aos afluentes do rio Itapocú.

O imigrante italiano, localizado na periferia da sede das colônias de formação germânica, passou a ser fornecedor de produtos agrícolas por excelência, não só os destinados a subsistência das populações urbanas mas principalmente os de exportação (PIAZZA,1983), o que lhe atribuiu um caráter diferenciado do encontrado nas áreas de colonização alemã.

Produzia-se de forma tradicional nos pequenos lotes, o milho, o arroz, a uva e com a mesma técnica utilizada no norte da Itália tornaram-se grandes produtores de arroz.

O município de Gaspar foi inicialmente povoado por elementos nacionais que construíram nas proximidades do rio Itajaí-açu um estaleiro. Somente em 1848,colonos de origem alemã instalaram-se nas proximidades idos de São Pedro de Alcântara, São José e alto Biguaçú aos quais, de 1850 a 1860, reuniram-se alguns outros de origem italiana, oriundos de Nápoles e Gênova (CABRAL,1970). Devido a proximidade com a colônia de Blumenau, Gaspar teve sua vida bastante ligada e influenciada pela colônia vizinha da qual se constituiu distrito em 1861. Somente a partir de 1934, foi elevada a categoria de município, pela Lei no 499, de 17 de fevereiro (CABRAL, 1970).

Pomerode que inicialmente se chamou Rio do Testo originou-se de Blumenau , os primeiros ocupantes das margens do rio aí se estabeleceram por volta de 1860 segundo ZIMMER IN: FERREIRA, 2000. Inicialmente os imigrantes vieram da Pomerânia porém durante os dezenove anos de ocupação ingressaram na região famílias de outros estados alemães como da Prússia, Schleswig-Holstein e Westfália.
Existiu na região indícios de ataques indígenas pelo fato daquela região já ser habitada por índios Xokleng, a ocupação destas áreas devolutas era vista pelos indígenas como invasão de seu espaço pois interrompiam sua passagem do litoral em direção ao planalto.
Os povoados surgiram devido a cooperação dos colonos mais antigos para com as famílias já chegadas.

Os colonos estabeleceram-se com suas respectivas famílias em suas propriedades rurais , o regime de trabalho adotado pelos colonos consistia na divisão dos serviços rurais entre os membros familiares. Além do trabalho da terra, os colonos empregavam-se temporariamente em serviços públicos oferecidos pela administração de Blumenau. O serviço compreendia a abertura de estradas para o avanço da colonização ao interior do rio do Texto e do Vale do Itajaí.
O serviço era remunerado em dinheiro e os colonos procuravam estes trabalhos nos meses de fevereiro a maio, quando as atividades da lavoura diminuíam de ritmo.
 


Brusque / Vale do Itajaí – colônia alemã
http://www.radarsul.com.br/brusque/imagens/antigo.gif

A agricultura praticada em Pomerode era a de subsistência e os excedentes agrícolas como o milho, mandioca e cana-de-açúcar ajudaram a originar as vendas que se tornaram pontos de encontro social e financeiro da região.

O fumo era já um produto de exportação desde os primeiros anos da colônia de Blumenau. Na década de 50, foi inaugurada em Blumenau a Cia. Brasileira de Fumo em Folha para beneficiamento e embalagem de fumo em folha em toda a zona. A instrução para a obtenção de um produto mais perfeito era feita pela Cia., que colocava a disposição um instrutor treinado para cada núcleo de 50 plantadores de fumo. A construção da estufa era financiada e eram fornecidos arados, cultivadores, venenos e adubos.
 

Hoje o fumo já não mais apresenta tanta importância na região a maior produção ocorre em Gaspar com 29 toneladas seguindo por Pomerode com 8 toneladas, Blumenau com 6 toneladas e Ilhota com 4 toneladas.

Fonte: http://www.faed.udesc.br/geolab/geosc.htm


Ponte em Florianópolis

Uma das maiores pontes pênseis do mundo teve sua construção iniciada em 14 de novembro de 1922 e foi inaugurada a 13 de maio de 1926.O comprimento total é de 819,471m, com 259m de viaduto insular, 339,471m de vão central e 221m de viaduto continental. A estrutura de aço tem o peso aproximado de 5.000 toneladas, e os alicerces e pilares consumiram 14.250m³ de concreto. As duas torres medem 75 m, a partir do nível do mar, e o vão central tem altura de 43m.


“Florianópolis é a capital do Estado de Santa Catarina . Seu primeiro nome foi Desterro e foi fundada em 1650 . Está situada na ilha de mesmo nome e é ligada ao continente por uma grande ponte .”
 

A ponte foi projetada e construída durante o governo de Hercílio Luz. O idealizador não viu seu sonho ser concluído, pois morreu em 1924, doze dias depois de inaugurar uma ponte pênsil de madeira, construída na Praça XV especialmente para o ato simbólico.

O projeto é de autoria dos engenheiros norte-americanos Robinson e Steinmann, e todo o material nela empregado foi trazido dos Estados Unidos, tendo sido construída por equipe composta de dezenove técnicos especializados norte-americanos e operários catarinenses.A inauguração da ponte Hercílio Luz, numa tarde chuvosa de maio de 1926, acabou com um antigo sofrimento dos 40 mil habitantes de Florianópolis: depender de balsas para atravessar da Ilha ao Continente ou vice-versa. Monopolizado, o serviço era tão ruim que sequer oferecia cobertura para proteger os passageiros do sol ou da chuva. Por este motivo o nome da obra seria Ponte da Independência, o qual foi mudado após a morte de seu idealizador.

O governador Hercílio Luz resolveu construir a ponte para consolidar Florianópolis como Capital de Santa Catarina. Àquela altura, as outras cidades consideravam a Ilha muito distante para ser o centro administrativo e político do Estado e, em conseqüência, havia um movimento pregando a mudança da Capital para Lages.


Depois de obter empréstimo equivalente a dois orçamentos anuais do Estado de Santa Catarina, o governo finalmente iniciou a construção da ponte, em 1922. O pagamento dos empréstimos, feitos com bancos norte-americanos, só foi concluído em 1978, mais de 50 anos após a inauguração da ponte.

Desde o princípio, o processo de financiamento foi complicado. O primeiro banco que havia emprestado os 20 mil contos de réis ao governo catarinense faliu. Assim, um novo empréstimo teve que ser obtido, atrasando as obras. Além disso, uma manobra dos banqueiros norte-americanos fez com que o Estado de Santa Catarina se responsabilizasse por dívidas da instrução da instituição falida. Ao final, o custo atingiu 14 milhões 478 mil 107 contos e 479 réis - praticamente o dobro do orçamento do Estado à época.

 

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