Viajando pelo Brasil

Pictorial travel around the Brazil
Memory of the mid-twentieth century - 1950 circa
Eucalol series 256 a 279
Texto extraído do verso das estampas
Desenhos do artista Percy Lau
Das coleções do Rio de Janeiro

Minas Gerais (série 276)

 
pag 08


Mineração do Ouro

Quando os primeiros exploradores chegaram ao Brasil, o maior objeto de desejo era o ouro, metal precioso o bastante para manter o fausto das cortes européias. As excursões pioneiras pelo litoral e até pelo interior foram frustrantes.

“A mineração do ouro vem da “época das minas gerais” nos primeiros anos do Brasil. A maior mina do Brasil é a de Morro Velho, no estado de Minas Gerais, que contribui com mais de 8% da produção de ouro do país.”

 

Foi no contato com os índios que os estrangeiros se deram conta que algo de muito valioso se escondia nos recônditos do Brasil. Não faltavam histórias sobre uma terra distante, onde o ouro brotava no leito dos rios.

Mais de um século se passou até que uma expedição de bandeirantes paulistas achasse o tão sonhado ouro, no final do século XVII. E era muito, muito ouro, opulentas minas. O mais provável é que o descobridor tenha sido um paulista, Antônio Rodrigues Arzão, que não pôde concluir seu feito por causa da animosidade dos índios que caçava. Bartolomeu Bueno de Siqueira assumiu, com as informações que recebeu, a busca pelo metal. Descobriu em 1694, nos arredores de Itaverava, jazidas cujas amostras de ouro foram levadas para o Rio de Janeiro, para apreciação do Governador, que tinha jurisdição sobre todas as descobertas.


Pico do Itacolomi, referência para os primeiros Bandeirantes (Mariana – MG)
Fonte: http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/geral/port/ouro.asp
(acesso em 19/11/2005)


O ouro era encontrado quase à superfície do solo. As técnicas usadas, porém, eram primitivas. No ouro de lavagem (existente no leito dos rios) utilizava-se a bateia. Para garimpar nos barrancos, eram abertas as catas (grandes buracos afunilados) de onde o cascalho era retirado e lavado, recolhendo-se as pepitas ali depositadas. No caso dos veios auríferos (explorados somente por mineradores com recursos) cavavam-se lavras ou minas, exploradas a céu aberto ou em galerias subterrâneas. Sem melhorias no processo de extração, a partir das últimas décadas do século XVIII, a produção começou a declinar, chegando ao completo esgotamento no final do século.

No início da mineração, o ouro encontrado no leito dos rios obrigou os garimpeiros a viverem como nômades. Esgotada a lavra partiam para outras mais lucrativas. A população encontrava-se bastante dispersa. Os imigrantes vinham de todo lugar, ansiosos por fazer riquezas naquele novo Eldorado. Quando o ouro começou a ficar escasso nos rios, a extração passou para as encostas das montanhas. O trabalho de cavar exigiu que o minerador se fixasse. As minas foram surgindo e junto a elas os núcleos povoados. O ouro parecia brotar em todo lugar. Sabarabuçu, Cataguás ou Cataguases, Caeté, do Rio das Mortes, Itambé, Itabira, Ouro Preto, Ouro Branco etc. Eram enfim muitas minas, ou melhor dizendo, "Minas Gerais". Já em 1701 o nome começou a ser usado, sendo oficializado em Carta Régia de 1732.
 

Mina de Ouro (Ouro Preto – MG)
Fonte: http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/
geral/port/ouro.asp
(acesso em 19/11/2005)


Bateia, fôrmas de fundição e barra de ouro.
(Museu Histórico / RJ)

Fonte: http://www.expo500anos.com.br/
painel_31.html
(Acesso em 20/11/05)
 
Com a exploração do ouro, tinha início a história econômica de Minas Gerais, na fase conhecida como Ciclo do Ouro. A Coroa Portuguesa criou em 1720 a Capitania das Minas, desmembrada de São Paulo. Passou a controlar duramente a extração, recolhendo 20% de tudo que era produzido, o chamado quinto. Após o seu apogeu, por volta de 1750, a atividade mineradora entrou em progressivo declínio, sem que houvesse gerado vultosa expansão econômica. Em 1789, a capitania deve à Coroa perto de 400 arrobas de ouro, ou aproximadamente 6 t, em quintos atrasados. Esse excesso de imposto alimenta movimentos favoráveis à independência, como a Inconfidência Mineira, na qual se destacou a figura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

Manganês

O manganês é um metal cinza semelhante ao ferro, porém mais duro e quebradiço. Os óxidos, carbonatos e silicatos de manganês são os mais abundantes na natureza e caracterizam-se por serem insolúveis na água. O composto ciclopentadienila-tricarbonila de manganês é bem solúvel na gasolina, óleo e álcool etílico, sendo geralmente utilizado como agente anti-detonante em substituição ao chumbo tetraetila. O manganês não ocorre em estado puro; precisa ser retirado de seus minérios, dos quais o mais comum é a pirolusita.



“O manganês é um mineral metálico de grande aplicação para as ligas de ferro, cobre e níquel na Indústria. O Brasil é o maior produtor de manganês do Mundo, e Minas Gerais é o maior centro da produção brasileira, principalmente na região de Lafaiete.”
 

Sua principal aplicação, na forma de minério, é na produção do aço comum. Em maiores proporções, entra na composição de ligas de aço especiais, às quais confere resistência e tenacidade. O aço-manganês é matéria-prima para a fabricação de trilhos de trem e ferragens de alto impacto.

Após o ciclo do ouro, estabelece-se em Minas Gerais a grande corrida aos depósitos de hematita (minério de ferro), principalmente no Quadrilátero Ferrífero, e outros minerais como o Manganês.
Este minério, foi explorado a partir de 1894, e sua produção cresceu no início do século 20, na região ao redor de Conselheiro Lafaiete, que já se chamou Arraial de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre dos Carijós e Vila Real de Queluz.
Em 1896, foi descoberto na fazenda Olaria um afloramento de minério, a apenas 3 km da Prefeitura de Conselheiro Lafaiete. Mas como o minério desses afloramentos não era tão bom como outros da região, por conter muita sílica, a jazida não foi imediatamente explorada. Mais tarde, como a população sempre se referia ao local como “o morro da mina”, a expressão foi utilizada para batizar a mina de manganês. Foi criada então a Companhia Morro da Mina, proprietária da fazenda.
As instalações para extração de manganês nessa época eram rudimentares e, com a inauguração do ramal ferroviário, em 1902, já partia o primeiro trem rumo ao Rio de Janeiro, carregado com 5.704 t de manganês de Morro da Mina, que seguiriam para a Inglaterra. Nessa época, o Rio de Janeiro não possuía ainda um porto capaz de receber os navios de maior calado e o manganês era colocado em chatas, que o levavam até as embarcações ou deixavam o minério estocado em ilhas próximas. O recurso Trans-shipment e a utilização de ilhas na Baía de Guanabara para estocagem do minério perduraram por duas décadas.


A Companhia Morro da Mina cresceu e ganhou mercado, porque o manganês passou de minério sem importância, desprezado pelos primeiros garimpeiros, a insumo fundamental com o aumento da demanda por aço. Na Primeira Guerra Mundial a mina obteve seu recorde de produção que permanece até hoje: 296 mil t registradas em 1917. Durante o conflito, a produção de Morro da Mina superou 1 milhão t, sofrendo uma dura queda em 1918.
 

A United States Steel, maior siderúrgica americana, consumia o manganês da mina brasileira e com a revolução comunista na Rússia viu a produção daquela região ser afetada. A Índia, outra grande produtora de manganês, direcionava seu produto para a Europa, afetando ainda mais o suprimento da matéria-prima para a empresa. Com isso, a empresa percebeu a importância estratégica de extrair o manganês que consumia e enviou uma missão ao Brasil em 1919. A empresa americana acabou adquirindo Morro da Mina em dezembro de 1920, por US$ 4,8 milhões, e sua subsidiária passou a se chamar Companhia Meridional de Mineração, assim chamada por se localizar no hemisfério Sul. Era a primeira propriedade off-shore da US Steel.

Veio a Segunda Guerra Mundial e com isso a necessidade de mais aço – e manganês – para a produção de armamentos e equipamentos. Em 1942, Morro da Mina já contava com 922 trabalhadores e exportou 900 mil t entre 1941 e 1945. Com isso, os Estados Unidos garantiram sua produção de armamentos, aproveitando a qualidade do minério, oxidado, com boa redutibilidade nos fornos de ferro-ligas. A guerra acabou, mas nos anos 50 o manganês voltou a ter boa demanda, graças à reconstrução da Europa e à guerra da Coréia.
 

Fonte: http://www.militarypower.com.br/frame4-tankswwII.htm



Catando Diamante

Além do ouro, fez-se de enorme relevância a exploração de diamantes, abundantes naquela região. Em apenas um século, 1200 toneladas de ouro e três milhões de quilates de diamantes foram extraídas na região das minas. As principais minas encontravam-se no Arraial de Tijuco, hoje Diamantina.
Esse outro tipo de riqueza, ainda mais valiosa do que o metal dourado,foi descoberta por volta de 1730, mais de 30 anos depois do início da exploração aurífera nas Gerais. Os bandeirantes, com fizeram com o ouro, começaram a explorar o diamante por conta própria até a Coroa assumir o controle do negócio.



“A produção de diamantes é muito antiga no estado de Minas Gerais. O norte do Estado, Diamantina, Serro e Grão Mogol, é o grande centro produtor. Do Estado de Minas têm surgido diamantes que valem milhões de cruzeiro.”

 

A nova pedra exigia uma legislação especial. Não fazia sentido, por exemplo, falar em arrobas de diamante ou submeter a pedra ao processo de fundição pelo qual passava o ouro. A Coroa desenvolveu, então, um sistema de arrecadação próprio para Diamantina, no qual se cobrava do contratador (uma espécie de arrendador de minas) uma taxa pelo direito de explorar uma determinada área.
Tudo que era encontrado nos chamados distritos diamantinos passava, então, às mãos do contratador. Dos que ganharam verdadeiras fortunas, o caso mais famoso é o de João Fernandes de Oliveira - o amante de Xica da Silva, que, conta a lenda, teria morrido mais rico do que o próprio rei.

Ao contrário do Ciclo do Ouro, que declinou no final do séc. XVIII, o Ciclo do Diamante manteve sua exuberância por mais tempo. Ainda em 1831, ano em que o arraial passou a se chamar Vila Diamantina, a extração e comércio de diamante originava grandes riquezas.

Diamantina foi a maior lavra de diamantes do mundo ocidental no séc. XVIII. Foram aproximadamente três milhões de quilates, uma fortuna astronômica. Os diamantes perfeitos eram chamados de "estrelas". Por isso é fácil aceitar que o céu de Minas refletia os diamantes do Tijuco.
 


Faiscação de diamantes. Quadro de Carlos Julião. Biblioteca Nacional /Rio

Fonte: http://www.expo500anos.com.br/
painel_31.html
(Acesso em 20/11/05)

 

É interessante observar que, no século XVIII, o Brasil tornou-se o maior produtor de ouro e diamantes do mundo. Pequena parcela dessa riqueza ficava aqui: grande parte do ouro brasileiro.
Qual o destino da imensa riqueza encontrada no Brasil? Uma parcela ficou aqui, concentrada nas mãos de poucos colonos; outra parte seguiu para Portugal (para sustentação da Corte e para a reconstrução de Lisboa, destruída por um terremoto); o quinhão maior foi parar na Inglaterra (credora de Portugal) alavancando a Revolução Industrial daquele país.
“O ouro deixou buracos no Brasil, palácios em Portugal e fábricas na Inglaterra”. Em resumo, foi essa a herança da atividade mineradora na Colônia: contribuiu para a construção de luxuosos palácios na cidade de Lisboa; foi a alavanca da industrialização e do enriquecimento da Inglaterra; e no Brasil, foi causa de revoltas, enforcamentos e do empobrecimento do povo brasileiro.


Praia da Cachoeira do Telésforo (Conselheiro Mata),
formada pelo assoreamento decorrente do garimpo.

Fonte: http://www.idasbrasil.com.br/idasbrasil/cidades/Diamantina/port/historia.asp (acesso em 21/11/05)

 


Indústria a Vapor, na Inglaterra
www.historianet.com.br/ imagens/indvapor.jpg

Pampulha – Minas

Até 1893, a capital mineira era Ouro Preto, devido à importância econômica alcançada no tempos do ciclo do ouro. A partir de então, aquela cidade perde relevância econômica devido à decadência do ouro.

Para se destacar o novo cenário republicano, Minas Gerais precisava mostrar-se politicamente unida e forte. A construção de uma nova capital, localizada no centro geográfico do Estado, poderia facilitar o equilíbrio das diversas facções políticas que então disputavam o poder.



“Belo Horizonte, capital do Estado de Minas, foi construída em fins do século 19 e inaugurada em 1897. está situada a 920 metros de altitude, gozando de um clima excelente. De um traçado perfeito Belo Horizonte possui locais agradabilíssimos como a Pampulha, com sua lagoa e seu Cassino, como se poderá ver na gravura do verso, com vista geral da cidade.”

 

Os republicanos também desejavam promover o progresso de Minas Gerias, tornando-o um Estado industrializado e moderno. A cidade de Ouro Preto não oferecia condições adequadas para o crescimento econômico esperado. Os transportes e as comunicações eram dificultados pelo relevo acidentado da cidade e as estruturas de saneamento e higiene não comportavam mais um aumento da população. A construção de uma nova capital, planejada de acordo com essas exigências era a solução para o problema do crescimento.

Um outro fator contribuiu para fortalecer a idéia de mudança. Ouro Preto, cidade histórica, guardava em sua arquitetura uma série de símbolos e marcas do passado colonial que os republicanos queriam enterrar. Com suas ruelas e becos, suas igrejas barrocas e suas casas, porões e senzalas, a velha capital lembrava os anos da dominação portuguesa, das conspirações e da escravidão. Uma nova cidade, planejada segundo os valores modernos, seria o símbolo de uma nova era.

Em 1891, o presidente do Estado, Augusto de Lima, formulou um decreto determinando a transferência da capital para um lugar que oferecesse condições precisas de higiene. Em 1893 a lei foi adicionada à Constituição Estadual, determinando que a nova sede do Governo fosse erguida em Belo Horizonte, chamando-se Cidade de Minas.

No prazo máximo de quatro anos, a capital deveria ser inaugurada. A lei criava ainda a Comissão Construtora, composta de técnicos responsáveis pelo planejamento e execução das obras. Em sua formação, estavam alguns dos melhores engenheiros e arquitetos do país, chefiados por Aarão Reis.

O progresso da cidade se deu em marcha lenta. Nas duas primeiras décadas do século 20, Belo Horizonte viveu, alternadamente, períodos de grande crise e surtos de desenvolvimento. Os anos quarenta trazem a modernidade e dão um ar de metrópole à Belo Horizonte. Nessa época, a capital ganhou várias indústrias, abandonando seu perfil de cidade administrativa. O impulso para isso foi dado pela criação de um Parque Industrial, em 1941. O setor de serviços também começou a crescer com o fortalecimento do comércio. O centro da cidade tornou-se, então, uma área valorizada, principalmente para a construção de edifícios, e passou a sofrer a especulação imobiliária.
 

Igreja de São Francisco de Assis
Fonte: www.dcc.ufmg.br/~loureiro/img/imagens.html
O grande responsável pela transformação de Belo Horizonte foi o prefeito Juscelino Kubitschek. Com o objetivo de renovar a capital, promovendo um surto de desenvolvimento e modernização, JK realizou diversas obras que projetaram internacionalmente o nome da cidade.
A mais importante delas foi o Complexo Arquitetônico da Pampulha inaugurado em 1943. Desenhado pelo jovem arquiteto Oscar Niemeyer, o complexo era formado por quatro obras principais a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile, o Cassino e o Iate Golf Clube instaladas às margens da lagoa artificial. Com suas linhas originais e modernas, Oscar Niemeyer fez da Pampulha um dos maiores exemplos da arquitetura modernista brasileira.
 

Cassino
Fonte: http://www.guiadasemana.com.br
/detail.asp?ID=4&cd_place=1831


Ouro Preto

Como resultado da busca do ouro, que ocorreu no final do século XVII, nasceu Ouro Preto, sob o nome de Vila Rica. Naquela época, o ímpeto pela riqueza fácil levam à região centenas de aventureiros.
Segundo a lenda, ao meter a gamela no Ribeirão Tripuí para matar sua sede, um homem encontra no fundo algumas pedras negras e resolve guardá-las. De volta a Taubaté, em São Paulo, de onde partira sua bandeira, repassa as pedras a outro homem, e estas chegam às mãos do então governador do Rio de Janeiro, Artur de Sá e Menezes. Num gesto despretensioso, o governador leva à boca uma das pedras e, trincando-a com os dentes, identifica o tão cobiçado metal.


“Antiga capital de Minas, Vila Rica, é hoje um patrimônio artístico e colonial do Brasil. Berço de Marília e Dirceu, cidade dos sobrados coloniais, da igrejas e da Escola de Minas, Ouro Preto é uma relíquia do nosso passado.”

 

A partir daí, aumenta o número de bandeiras que se dirigem à região. O metal é abundante, encontrado no leito e às margens dos rios e na encosta dos morros. A atividade mineradora torna-se naturalmente a mais importante, e a inexistência de trabalho agrícola provoca fome e faz com que muitos aventureiros abandonem seus achados e retornem às suas terras de origem, retardando a efetiva ocupação do território.
Em 1698, saindo de Taubaté, São Paulo, a bandeira chefiada por Antônio Diase descortina o Itacolomi do alto da Serra do Ouro Preto, onde implantou a capela de São João. Ali, tem início o povoamento intenso do Vale do Tripui que, trinta anos depois, já possuía perto de 40 mil pessoas em mineração desordenada e sob a louca corrida pelo ouro de aluvião.
Entre 1708 e 1709, paulistas — os primeiros descobridores da região — se revoltam contra os forasteiros, em sua maioria portugueses, baianos e pernambucanos. A rivalidade entre os dois grupos e a preponderância administrativa dos paulistas, que fazem a distribuição de veios de ouro, culmina na Guerra dos Emboabas. Liderados pelo comerciante português Manuel Nunes Viana, os forasteiros saem vitoriosos.
O visível crescimento desses arraiais leva o governador da capitania Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho a criar, em 1711, Vila Rica.
De 1730 a 1760, a produção aurífera atinge seu apogeu. Essa é a fase gloriosa de Ouro Preto, assinalada por suas sofisticadas construções e festas barrocas.


Em 1763, já se vislumbra a decadência do ouro e o iminente colapso econômico. As dificuldades de se extrair mais ouro levam o governo português a criar novos impostos, sem se preocupar em dinamizar a economia colonial. Alguns anos depois, o novo governador de Vila Rica, Visconde de Barbacena, toma a si a missão de lançar a derrama, imposto compulsório sobre os rendimentos atrasados do quinto do ouro, que, em 1788, ultrapassavam oito mil quilos.

Ouro Preto, antiga Vila Rica
Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=302

 
A Inconfidência Mineira é o apogeu do pensamento político e faz mártires entre padres, militares, poetas e servidores públicos, liderados por Tiradentes.
Apesar de deixar de ser referência econômica, Vila Rica continua politicamente ativa e sua vocação cultural é reforçada com a criação de duas escolas de nível superior: a Escola de Farmácia, em 1839, primeira da América Latina, e a Escola de Minas de Ouro Preto, criada por ato de Dom Pedro II, em 1876.
Com a Independência do Brasil, recebe o nome de Ouro Preto e torna-se a capital de Minas até 1897, quando é inaugurada Belo Horizonte, planejada e construída para esse fim. A partir daí, a cidade esvazia-se por completo. Além dos setores administrativos e econômicos, famílias inteiras transferem-se para a nova capital, deixando para trás memórias de um passado glorioso.

A perda do papel administrativo de sede do Estado será fato de grande importância para a conservação das feições urbanas da antiga Vila Rica, que, sem a necessidade do acelerado crescimento imposto às capitais brasileiras no século XX, mantém praticamente inalterado seu conjunto arquitetônico, artístico e natural.

A cidade é instituída Patrimônio da Memória Nacional a partir de 1933 e tombada pelo IPHAN em 1938. Em 1980 é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO.
O surgimento e apogeu da arte colonial em Minas Gerais - barroco mineiro - é um fenômeno inteiramente ligado à exploração do ouro, acontecido no século XVIII, que veio criar uma cultura dotada de características peculiares e uma singular visão do mundo.
A medida que se expandia a atividade mineradora, o barroco explodia na riqueza de suas formas, na pompa e no fausto de suas solenidades religiosas e festas públicas, vindo marcar, de maneira definitiva, a sociedade que se constituiu na região.
Ouro Preto - hoje Patrimônio Histórico Mundial - representa inquestionavelmente a síntese da arte colonial mineira, não apenas pela expressão de sua história mas pelas excepcionalidade do acervo cultural que preservou.
 

Fonte: http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/
barroco_mineiro.html


Grutas Calcáreas

A tradição de pesquisas arqueológicas em Minas Gerais é uma das mais antigas de nosso território. A riqueza de seus vestígios pré-históricos atraiu, desde a primeira metade do século passado, inúmeros pesquisadores, com diferentes formações, objetivos e resultados.



“As grutas calcáreas do S. Francisco são curiosas e variadas, com seus múltiplos formatos. As mais famosas são a de Maquine, que é muito bonita e a da Lagoa Santa, onde o sábio dinamarquês Lund, descobriu os mais antigos vestígios do nome pré-histórico na América.”
 

Podemos situar o início das pesquisas em 1834, quando Peter Wilhelm Lund, botânico dinamarquês e paleontólogo amador, estabeleceu-se em Lagoa Santa. Tendo pesquisado mais de 800 grutas na região, Lund foi o precursor da paleontologia e da arqueologia brasileira, uma vez que, além de ossos de animais fossilizados, localizou ossos humanos e deparou-se com as famosas pinturas da região. Em uma destas grutas, Lund encontrou ossos humanos misturados aos de animais já extintos, o que serviu para convencê-lo da antiguidade da ocupação humana em Lagoa Santa. Suas descrições minuciosas, sobretudo quanto aos restos paleontológicos, chegaram até nossos dias e ajudaram a tornar Lagoa Santa, durante muito tempo, a região arqueológica brasileira mais conhecida (se não a única) no mundo, tendo sido a partir de suas pesquisas que se cunhou a expressão Homem de Lagoa Santa.

Outra gruta descoberta por Peter Lund é a Gruta de Maquine, que fica no município de Cordisburgo, terra de Guimarães Rosa, a 130 quilômetros de Belo Horizonte. A gruta é a maior já encontrada em Minas para acesso público. Foi descoberta quando ele peregrinava pela bacia do rio das Velhas à procura de espécies animais e vegetais. Maquiné abriga belezas únicas em 650 metros de extensão. Nos 440 metros abertos à visitação revezam-se grandes salões e atraentes galerias, resultantes da atividade erosiva milenar. No salão do urso ou do elefante é possível ver um grande cogumelo que lembra a bomba atômica. Através de suas formações calcárias, os espoleotemas (estalactites, estalagmites, colunas, cortinas, represas de travertino, etc), a visão interior dessa caverna cria figuras estilizadas em formas vivas e concretas (figuras animais, humanas, de castelos, colunas e véus de noivas).


O sítio onde se encontra a Gruta de Maquiné caracteriza-se pela riqueza de formações cáusticas. A ação erosiva das águas propiciou a formação de cavernas, como a também conhecida Gruta do Salibre (fechada à visitação), situada próxima à de Maquiné e outras formações típicas das regiões cáusticas.


Fonte: http://www.tourguidebrazil.com/fotos.html


Minas Gerais, tornou-se um dos estados mais conhecidos na Arqueologia Brasileira, apresentando um dos quadros mais belos e ricos de nossa pré-história.

<< anterior

[Viajando BR] [Cultura]
próxima >>