Viajando pelo Brasil

Pictorial travel around the Brazil
Memory of the mid-twentieth century - 1950 circa
Eucalol series 256 a 279
Texto extraído do verso das estampas
Desenhos do artista Percy Lau
Das coleções do Rio de Janeiro

Piauí (série 261)

 
pag 10


Bananeiros

No assentamento Marrecas, ocupado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), foram implantados 22 hectares com uva, banana e goiaba. De acordo com técnicos da Codevasf, o objetivo é ampliar de 22 para 200 hectares o cultivo de frutas, através de irrigação por microaspersão (um hectare por família).

“A produção da banana aumenta todos os anos e ela é cultivada em todos os Estados do Brasil. No Piauí é um quadro típico a plantação das bananeiras com a colheita e o transporte das bananas.”

 

Sistema de contenção do poço jorrante, 22 hectares de microaspersão, construção de seis quilômetros de adutora; cinco chafarizes e três bebedouros, área de lazer e lavanderia comunitária, galpão para apoio à produção, recuperação de estrada de acesso e construção de passagem molhada, aquisição de trator agrícola com implementos são ações que já foram realizadas no Projeto Marrecas. Através de convênios, serão construídas, até abril deste ano, no Projeto Marrecas, redes de distribuição de energia elétrica. Serão também implantados 34 hectares de irrigação por microaspersão e monitoramento de pragas e de doenças da fruticultura. Serão realizados, até maio deste ano, instalação do sistema de abastecimento de água e do reservatório, adquiridos móveis e equipamentos para estruturação da unidade de apoio produtivo, estudos de viabilidade, projeto básico e executivo, além da execução de obras civis de infra-estrutura hídrica.


Fonte: http://www.pi.gov.br/materia_especial.php?id=17666&pes=banana


Pescadores

O Piauí é o estado com menor trecho de costa, apenas 66 km. Em um nordeste de tradição pesqueira, o Piauí destoa, pois alí, ao contrário dos outros estados da costa nordestina brasileira, a colonização deu-se do interior para o litoral, não havendo, portanto, uma ligação mais íntima com o mar a ponto de firmar, no povo piauiense, qualquer vocação para a pesca. basta dizer que a atividade pesqueira no piauí, caso único no nordeste, quase nada representa na receita estadual.



“Como em todos os Estados do litoral, também no Piauí, na região dos “cocais” os pescadores enfrentam o mar, para a pescaria. Distanciam-se da terra em frágeis embarcações e voltam horas e horas mais tarde trazendo os mais variáveis peixes. Os velhos pescadores tem, quase sempre, histórias bonitas para contar e que passam de geração em geração encantando a petizada.”
 

Um número reduzido de pescadores vivem em pequenas vilas, em casas de palha de carnaúba ou coqueiro, sem luz, esgoto ou qualquer outro conforto da civilização. São nativos do Ceará mas largaram as jangadas para virem pescar com as canoas piauienses e viver nas praias bucólicas do Parnaíba.

Mal o sol desponta, eles já estão em alto-mar, vela arriada, rede na água apinhada de peixes, pronta para ser içada. Pesca no fundo do barco, tarefa concluída, os canoeiros do Parnaíba retornam à terra firme.

Assim que retornam da pescaria, o que ocorre por volta das dez horas da manhã, os pescadores limpam suas canoas, consertam as redes, separam por qualidade e pesam os peixes a serem vendidos, e arrumam tudo de novo para nova viagem de pesca em alto-mar. Com o pouco que ganham, eles custeiam a manutenção do barco, caríssima, e compram material de pesca, não sobrando o bastante para que se possam proporcionar um mínimo de conforto.



Fonte: http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/4modos/nd-mar.html



Correio/Carteiro

Todos os anos, no dia 25 janeiro, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos comemora o Dia do Carteiro. A data resgata a memória da criação em 25 de janeiro de 1663 do Correio-Mor no Brasil, cujo primeiro titular foi Luiz Gomes da Matta Neto, que já era o Correio-Mor do Reino, em Portugal. Com a sua nomeação, começou a funcionar o Correio no Brasil como uma organização paraestatal e qualificado para receber e expedir toda correspondência do Reino. Em 19 de dezembro do mesmo ano, foi nomeado para o cargo de assistente do Correio-Mor na Capitania do Rio de Janeiro o alferes João Cavaleiro Cardoso.
Vale observar que a palavra correio também significa carteiro, mensageiro, embora o serviço de carteiro, tal como conhecemos hoje, somente tenha tido início, no Brasil, no período da Regência, no século XIX.



“Trata-se do carteiro, tipo característico do Interior, que percorre estradas, vilas, sítios distantes para levar uma carta, um jornal, uma revista!... É o mensageiro da civilização. Com chuva ou sol, lá se vai o carteiro pela estrada aguardado festivamente nas vilas e povoados por todos àqueles que esperam uma carta,... uma notícia!...”

 

Mesmo com a criação do Correio-Mor no Brasil Colônia, a entrega das correspondências até meados do século XIX era muito precária. As pessoas relutavam muito em pagar os serviços de correios, preferindo usar mão de obra gratuita, como os tropeiros, os bandeirantes e escravos.
Na história postal brasileira temos um carteiro que se notabilizou: Paulo Bregaro, que levou para o príncipe D. Pedro as notícias de Portugal que ensejaram a Independência do Brasil.
As palavras proferidas pelo Conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, ao recomendar pressa na entrega das correspondências, ainda hoje sintetizam a mística do trabalho responsável do carteiro: "Arrebente e estafe quantos cavalos necessários, mas entregue a carta com toda a urgência" - segundo uma versão. "Se não arrebentar uma dúzia de cavalos, no caminho, nunca mais será correio; veja o que faz!" - segundo outra.
Por seu feito, Paulo Bregaro é o patrono dos Correios. Em 1835 o Correio da Corte passou a fazer a entrega de correspondência a domicílio. Até então, só tinham direito a essa concessão, pelo Regulamento de 1829, as casas comerciais e os particulares que pagassem uma contribuição anual (de 10 a 20 mil réis).
Em 1852, o telégrafo foi introduzido no Brasil e as pessoas que faziam a entrega de telegramas eram chamadas de mensageiros. Carteiro é a designação privativa dos serviços dos Correios. Hoje, a palavra carteiro é utilizada indistintamente para a entrega de cartas e de telegramas.
A Repartição Geral dos Telégrafos era separada do Departamento de Correios; somente em 1931 é que houve a fusão dos dois serviços, criando-se o Departamento de Correios e Telégrafos - DCT. Em 20 de março de 1969, o antigo DCT foi transformado na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT.

Fonte: http://www.correios.com.br/institucional/carteiro_brasil.cfm


Músicos Caipiras



“Também no sertão do Piauí, o sertanejos apanham suas violas, sanfonas ou violões para as festas com os “desafios”, quando o cantor tira versos de improviso e que são respondidos pelo outro cantador. Essas festas são muito apreciadas e duram muitas horas”

 

Os cantos religiosos dos jesuítas e as modinhas trazidas pelos portugueses colonizadores misturaram-se à música e à dança dos índios senhores das terras recém-descobertas. Daí surgiram gêneros que se enraizaram especialmente na região sudeste, depois no sul e centro-oeste do país, integrando a que ficou conhecida como "música caipira", como os catiras e cururus, as toadas e modas de viola. A viola cavada num tronco de árvore, com cordas feitas de tripas de animais, e depois de arame, foi sacramentada, na cultura rural, como seu instrumento-base. Entre as palavras do Brasil colonial surgidas do tupi e da mistura do idioma indígena com o português estão, por exemplo, "caipira", junção de caa (mato) com pir (que corta), e cururu, que veio de curuzu ou curu, que era como os índios tentavam dizer cruz.

Entre tantos ritmos e estilos formados a partir das toadas, cantigas, viras, canas-verdes, valsinhas e modinhas, trazidos pelos europeus, a moda de viola se transformou na melhor expressão da música caipira. Com uma estrutura que permite solos de viola e longos versos intercalados por refrões, com letras quilométricas contando fatos históricos e acontecimentos marcantes da vida das comunidades, ela ganhou vida independente do catira.

À medida que o país se urbanizou e precisou da mão de obra barata do povo do interior, levas de artistas caipiras e nordestinos também chegaram a São Paulo e ao Rio de Janeiro para disputar seus palcos e estúdios. Assim, emboladas e cocos se misturaram a maxixes, guarânias, rasqueados, chamamés, boleros, baladas e rancheiras – e a tudo o que se ouvia no rádio nos anos 50 e nas fronteiras do país. Todas essas matrizes sonoras formaram, com os gêneros caipiras tradicionais, o que passou a ser sacralizado, na terminologia do mercado fonográfico, como música "sertaneja".

Fonte: http://www.cliquemusic.com.br/br/Generos/Generos.asp?Nu_Materia=19


Bois Mansos de Cela



“ No Piauí, a criação de gado é também importante. Os costumes do povo, em torno da lida do gado, são pitorescos. O transporte mais usual, é o boi. Montar num boi manso e percorrer léguas e léguas é um hábito dos sertanejos.”

 

O homem sempre busca soluções, hoje alternativas, para suas necessidades de transporte: transportar mercadorias, objetos, pessoas de um lugar para outro. Sempre de acordo com as peculiaridades físico /geográficas do meio em que vive. Não raro confecciona, sozinho ou com a ajuda da família e de amigos, seu próprio meio de transporte, ou recorre, em sua região, àqueles que se especializaram na produção de algum dos veículos de que se servem habitual ou eventualmente.

Nos campos e serras faz uso de charretes, carroças, carretões, carros de boi, veículos de tração animal (bois ou cavalos). Os carros de boi mostram-se, ainda hoje, grandes aliados do homem nos trabalhos rurais, a solução adequada para todos os tipos de terrenos, até os mais íngremes e acidentados e sem o menor vestígio de abertura de estrada.

São muito usados ainda, a exemplo dos antigos tropeiros, os transportes em lombo de burros, com jacás (grandes cestos) e cangalhas.


Fonte: http://www.brazilsite.com.br/folclore/transporte/trans01.htm


Carnaúba

Nome científico: Copernicia prunifera (Miller) H.E. Moore...
Família: Palmae (Arecaceae)
Sinonímia: Copernicia cerifera Mart.

A carnaúba é uma das palmeiras mencionadas por Von Martius, o naturalista e botânico alemão; Imponente, esbelta como a maioria das palmeiras brasileiras, a carnaúba possui utilidades variadas, tanto que é voz corrente entre a população nordestina que da carnaubeira tudo se aproveita.
Seu caule (tronco), de madeira moderadamente pesada (densidade 0,94 g/cm3), é muito empregado na construção das casas da região, principalmente para vigamentos. Trabalhado ou serrado pode ser utilizado na construção de móveis, na construção civil como caibros, barrotes e ripas, na confecção de artefatos torneados como bengalas, utensílios domésticos, caixas, lenha, etc.



“ A carnaúba é a grande riqueza do Piauí. Ela produz uma cera que cobra as fôlhas da palmeira e que empregada em várias indústrias. A madeira é utilizada em pequenas construções. Os frutos constituem uma parte consideravel da alimentação do povo. A exportação da cêra de carnaúba é de grande importância econômica para o Piauí.”
 

Entretanto, sua principal riqueza está na cera que recobre as folhas, principalmente as mais jovens, é conhecida internacionalmente como “cera-de-carnaúba”. Sua importância foi muito importante no passado como produto de exportação, chegando a caracterizar um ciclo econômico para o Nordeste. No passado foi muito empregada na iluminação de residências na forma de velas e atualmente é utilizada industrialmente na confecção de graxas de sapato, vernizes, ácido pícrico, lubrificantes, sabonetes, fósforos, isolantes, discos, etc.
Suas amêndoas (sementes), são basicamente aproveitadas pelos animais de criação; de sua polpa, extrai-se uma espécie de farinha e um leite que, à semelhança do leite extraído do babaçu, pode substituir o leite do coco-da-bula. Exemplo máximo da adaptação do homem às condições de subsistência, a amêndoa da carnaúba, quando torrada e moída, costuma até mesmo ser aproveitada localmente em substituição ao pó de café
Ocorre no Nordeste Brasileiro nos vales dos rios da região da caatinga, principalmente do Parnaíba e seus afluentes, do Jaguaribe, do Acaraú, do Apodi e do médio São Francisco. Também nos estados do Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí e Goiás.
A carnaubeira tem preferência por solos argilosos (pesados), aluviais (de margens de rios), suportando alagamento prolongado durante a época de chuvas. Resiste também a um elevado teor de salinidade, o que é comum nos solos aluviais da região da caatinga. Geralmente ocorre em comunidades quase puras, principalmente nos pontos mais próximos dos rios.
Floresce principalmente durante os meses de julho-outubro, com seus frutos amadurecendo de novembro a março. Palmeira de tronco único de 7-10 m de altura, podendo excepcionalmente atingir 15 m, com tronco (estipe) perfeitamente reto e cilíndrico de 15-25 cm de diâmetro.

Folhas dispostas em capitel, formando um conjunto esferoidal bastante elegante tanto que o nome do gênero “Copernicia” é uma homenagem ao astrônomo italiano Copérnico que concluiu que a forma da terra era globosa, em alusão a essa forma apresentada pela copa desta palmeira.
Sua Copa de tonalidade verde levemente azulada em conseqüência da cera que recobre a lâmina, e forma de leque de até 1,5 m de comprimento, de superfície plissada com a extremidade segmentada em longos filamentos mais ou menos eretos e rígidos. A lâmina é afixada ao tronco por pecíolos rígidos de até 2 m de comprimento, recobertos parcialmente, principalmente nos bordos, de espinhos rígidos em forma de “unha-de-gato”. A base do pecíolo, denominada de “bainha”, permanece presa ao caule na fase jovem da planta após o secamento e queda da folha, conferindo à planta aspecto agressivo.
As inflorescências são mais longas que as folhas, mede até 4 m de comprimento, afixadas nas axilas das folhas do capitel, ramificadas, porém ralas, lenhosas, com flores pequenas de cor creme, dispostas em espigas de 4-7 cm de comprimento. Frutos ovalados ou globosos, de cerca de 1,5 cm de comprimento, de cor verde escura no amadurecimento.

Fonte: http://www.floresta.ufpr.br/~paisagem/plantas/carnauba.htm


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