Viajando pelo Brasil

Pictorial travel around the Brazil
Memory of the mid-twentieth century - 1950 circa
Eucalol series 256 a 279
Texto extraído do verso das estampas
Desenhos do artista Percy Lau
Das coleções do Rio de Janeiro

Pernambuco (série 265)

 
pag 14


Cana de Açúcar

No Brasil, o plantio da cana-de-açúcar (matéria prima das usinas) se iniciou em São Vicente, no ano de 1522, trazida da Ilha da Madeira, por Martim Afonso de Souza. Foi em Pernambuco, porém, que ela floresceu, encontrando condições ideais para seu desenvolvimento nas terras úmidas em massapê. Em 1553, Duarte Coelho Pereira trouxe também da Ilha da Madeira, a chamada cana crioula, que durante três séculos, foi a variedade dominante cultivada em Pernambuco. Há indicações que já havia anteriormente, cultura de cana-de-açúcar nas terras de Itamaracá.

No início do século XIX, a cana crioula foi substituída pela cana caiana, quando os portugueses trouxeram essa variedade da Guiana Francesa e a introduziram aqui. Só depois foram sendo introduzidas variedades híbridas, oriundas das Antilhas, da Índia e da Indonésia.

A cana-de-açúcar é plantada na zona da mata de Pernambuco, na chamada zona canavieira há quase 5 séculos. A área cultivada tem cerca de 12 mil km2, fica situada próxima ao Oceano Atlântico, possui solos ricos para a agricultura, onde não há ameaças de secas e os rios são perenes.

“Desde de 1502, no tempo do Brasil-colônia que se cultiva a cana de açúcar. Na época da casa grande, e da senzala, das feitorias e depois já nos velhos engenhos, produzia-se açúcar. Hoje, Pernambuco é o maior centro produtor de açúcar do país.”

 
No início, os engenhos de açúcar devem ter sido movidos à tração humana, como as casas de farinha. Depois evoluíram para a tração animal (bois e éguas) e para os engenhos d`água. Só a partir do século XIX é que seriam introduzidos em Pernambuco os engenhos movidos a vapor e haveria uma revolução no comércio e indústria do açúcar, uma vez que na Europa, a beterraba passou a ser utilizada na produção de açúcar, oferecendo-se um produto de melhor qualidade ao mercado consumidor.

O Brasil precisou fazer modificações na sua produção, construindo ferrovias e implantando modernos engenhos de açúcar. Nas últimas décadas do século XIX, alguns proprietários mais ricos e empreendedores, melhoraram as condições técnicas dos seus engenhos, com a implantação de máquinas para a produção do açúcar cristal. Esses engenhos modernos seriam chamados de engenhos centrais e usinas.

A partir de 1871, houve uma mudança gradual na agroindústria açucareira em Pernambuco, com a decadência dos antigos engenhos banguês (que produziam um açúcar de cor escura, mascavo) e sua substituição pelos engenhos centrais e usinas. Foram poucos os engenhos banguês que conseguiram sobreviver até a segunda metade do século XX.

A primeira usina implantada em Pernambuco foi a de São Francisco da Várzea, cuja primeira moagem aconteceu em 1875. Pernambuco já chegou a ter mais de cem usinas. Atualmente, no entanto, existem apenas cerca de 38, algumas, inclusive, encontram-se paralisadas ou desativadas.

Fonte: http://www.fundaj.gov.br/docs/pe/pe0115.html


Frevo

O frevo é uma dança popular que distingue-se da marcha em geral, e da marcha carioca em particular, pelo ritmo muito mais rápido, freqüentemente sincopado, obrigando a movimentos que chegam a paroxismos frenéticos e lembram, por vezes, o delírio.

Embora esteja presente em todo o Nordeste, é em Pernambuco que o Frevo adquire expressão mais significativa. Segundo algumas opiniões, o frevo pernambucano nasceu da polca-marcha, já na introdução sincopada em sesquiálteras. Atribui-se a criação do novo ritmo ao capitão José Lourenço da Silva, ensaiador das bandas da Brigada Militar de Pernambuco. A data do aparecimento do frevo parece estar estabelecida, com certeza, entre os anos de 1909 e 1911.



“O Frêvo é uma dança tipicamente de Pernambuco e uma das mais ricas e humanas criações da dança brasileira. No carnaval do Recife o Frêvo empolga a população e dança-se animadamente na ruas e nos salões, nos clubes e cordões. Entre estes existe um muito conhecido: os “Pás Douradas”.
 

Dança individual que não distingue sexo, faixa etária, nível sócio-econômico, o frevo freqüenta ruas e salões no carnaval pernambucano, arrastando multidões num delírio contagiante. As composições musicais são a alma da coreografia variada, complexa e acrobática. Dependendo da estruturação musical, os frevos podem ser canção, de bloco ou de rua. Os chamados frevos de rua são aqueles que conferem entusiasmo aos dançadores. Compreendem duas partes: a “Introdução” e o “Piano”.

Na primeira, há predominância do ritmo sobre a linha melódica. É plena de síncopes e acentos que provocam a adesão ao “passo”. O “Piano”, que pretende ser um descanso dos dançarinos, tem uma linha melódica simples executada em saxofones, quase desacompanhada do contracanto e dos toques sincopados dados nos pistons e trombones. O “passo” é variado e recebe denominações específicas determinadas pelo gesto: Chão de barriguinha, Parafuso, Dobradiça, Saca-rolhas, Corrupio, Locomotiva, entre outros.

Outro elemento complementar da dança, o passista à conduz como símbolo do frevo e como auxílio em suas acrobacias. A sombrinha em sua origem não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de ter na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.

Este argumento baseia-se no fato de que os primeiros frevistas, não conduziam guarda-chuvas em bom estado, valendo-se apenas da solidez da armação. Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas, grandes, negros, velhos e rasgados se vêm transformados, acompanhando a evolução da dança, para converter-se, atualmente, em uma sombrinha pequena de 50 ou 60 centímetros de diâmetro.

Também como elemento imprescindível em algumas danças folclóricas, o vestuário que se precisa para dançar o frevo, não exige roupa típica ou única. Geralmente a vestimenta é de uso cotidiano, sendo a camisa mais curta que o comum e justa ou amarrada à altura da cintura, a calça também de algodão fino, colada ao corpo, variando seu tamanho entre abaixo do joelho e acima do tornozelo, toda a roupa com predominância de cores fortes e estampada. A vestimenta feminina se diferencia pelo uso de um short sumário, com adornos que dele pendem ou mini-saias, que dão maior destaque no momento de dançar.
O frevo pernambucano se difundiu pelo Brasil graças à migração de antigos frevistas e de maestros de banda de música, compositores e executores no carnaval de Recife. No município do Rio de Janeiro há clubes de frevo, a maioria deles organizada segundo padrões de seus congêneres pernambucanos.

Fonte: http://www.rosanevolpatto.trd.br/Frevo1.htm


Maracatú

Os maracatus ou nações, como preferem alguns autores, são parte da mais pura cultura popular pernambucana. Desfilam ritmo e realeza nos carnavais do Recife, descendendo das reuniões de negros escravos, ou não, do século passado.

Em Pernambuco, destacamos a existência de dois tipos de maracatu. O de baque virado, com seus reis e rainhas, e o rural, aquele com os tradicionais caboclos de lança e seus chocalhos. Este último também é chamado de maracatu de "baque solto", ou de "orquestra", mas que abordaremos numa outra ocasião. Durante as festividades de Carnaval, não é difícil encontrar um maracatu de baque virado e seus integrantes vestidos como nobres da corte, enquanto os tambores soam alto e forte fazendo vibrar as sacadas e igrejas do centro da cidade.



“Quem não conhece em Pernambuco o “Maracatú”? São os ranchos carnavalescos que bailam ao som de tambores e outros instrumentos acompanhando uma “rainha” que conduz na ponta de um bastão uma bonequinha ricamente adornada”.

 

O foclorista, Roberto Benjamim, frisa em seu livro Folguedos e danças que maracatu (nação africana) é um manifestação criada pelos negros do Brasil - não existe na África nada parecido. Sua origem está nas festividades católicas de Reis Negros, influenciada pelos cultos afro-brasileiros. "Esta ligação é tão forte que o maracatu tem sido tomado como uma expressão religiosa. Na verdade, é uma manifestação lúcida, dos grupos religiosos de culto gegê-nagô do Recife", diz.

Estas manifestações tiveram origem nas celebrações de coroação dos chamados Reis do Congo. As festividades, constantes nos arquivos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Outros grupos fazem referência à santa em seus cânticos folclóricos. O maracatu permitiu aos negros viverem seus momentos de glória e vestirem-se como em uma corte real portuguesa, no Brasil. Recordando os longínquos momentos de liberdade.

A época em que surgiu o maracatu permanece sem uma definição. Apenas a data de 1808 é comprovada e documentada como a mais antiga referência do cortejo. Esta data, entretanto, não estabelece, nem é tida como a da origem da manifestação. É que o viajante Henry Coster, passou pela ilha de Itamaracá no início do século passado e registrou o espetáculo do rei do Congo e sua inigualável beleza. Portanto, quando foi que apareceu pela primeira vez, ninguém sabe ao certo. Sabe-se, porém, que há tempo, quando os escravos ou não eram tidos como animais nas terras brasileiras e ansiavam por liberdade, a sociedade da época precisava contê-los. Para isso, os negros escolhiam um representante que seria encarregado de liderá-los. Este era chamado de o rei da nação africana: o Rei do Congo.

Esta instituição existiu em todo o Brasil Colonial. Possuía o consentimento da igreja católica e dos senhores de escravos, que pretendiam evitar as rebeliões concedendo privilégios aos reis. A idéia possibilitou na verdade uma resistência cultural dos negros em pleno período de repressão da raça. Precisavam lutar pela sua sobrevivência e muitos fugiam. Desta forma, os quilombos foram sendo fundados.

Os Reis do Congo eram escolhidos numa bela cerimônia que acontecia nos pátios de igrejas católicas, ligada a Irmandade de Nossa senhora do Rosário e ao culto de São Benedito. Os maracatus e afoxés nasceram da união destas cerimônias às tradições africanas. Com o fim dos Reis do Congo, a população negra continuou celebrando a coroação através da dança e da encenação. O baque virado das alfaias venceu o tempo e os negros vestidos como numa corte real mativeram vivas suas tradições e sua cultura.

Fonte: http://www.riomaracatu.com/maracatus3.htm


Transporte de Tomates



“A produção de tomates em Pernambuco, movimenta hoje uma indústria nova e muito desenvolvida. Além da cana de açúcar e dos tecidos, a indústria de tomates para conserva é uma fonte economica para a balança comercial de Pernambuco. A época da colheita do tomate é um acontecimento marcante na vida do interior pernambucano”.

 

Segundo dados do Ministério da Agricultura (Brasil,1993), as perdas pós-colheita de hortaliças atingem, em média, 34,9% do produto colhido, sendo que o transporte inadequado e estradas constituem-se em significativas causas dessas perdas. É importante destacar que muitos dados de perdas são subjetivos, e a medição possibilita a obtenção de dados objetivos, reais.

O transporte inadequado, a precariedade das estradas e a utilização de embalagens impróprias figuram como as principais causas das perdas pós-colheita do tomate no Brasil (Sigrist, 1993; Tsunechiro et al., 1994).

Dentre os fatores de qualidade comercial, destacam-se a firmeza, a turgescência e a coloração. A preferência do consumidor varia em função do mercado, como, por exemplo, a aceitação do tomate mais vermelho, no Rio de Janeiro, e a do tomate mais verde, em São Paulo. Assim, em face da preferência do mercado, ou, muitas vezes, do preço, observa-se a ocorrência de colheitas precoces, do ponto de vista do amadurecimento fisiológico, pois sabe-se que tomates verdes apresentam firmeza maior que os maduros.

O efeito da vibração no transporte do tomate são os danos mecânicos ao fruto, isto é, amassamento, cortes e rachaduras. Esses danos contribuem para acelerar o processo de deterioração devido ao desenvolvimento de microrganismos patogênicos, prejudicando a aparência do produto e impossibilitando o consumo. Ocorre nele elevação das taxas respiratórias e aceleração da senescência (Ishii et al., 1990).

Fonte:
http://atlas.sct.embrapa.br/pab/pab.nsf/0/
ce5c32d442b37847032565e000819e50/$FILE/pab06195.doc


Mucambo

O nordeste do Brasil apresenta ainda hoje comunidades que praticam uma arquitetura artesanal que tem como principal material construtivo a folha das palmeiras regionais. São casas simples, feitas de paus amarrados com cipós como estruturas e palhas trançadas nas vedações, seguindo os moldes das habitações rústicas das populações que se espalharam na formação do território nacional.



“Mucambos são moradias tôscas nos subúrbios de Olinda e Recife, tais como os barracões e as casas de sapé. Seus moradores são operários, pescadores e sertanejos e estão localisados em áreas sujeitas as marés. Todavia, aos poucos, Pernambuco vai fazendo desaparecer os mucambos e não tardará o dia em que tais moradias não mais existam no Brasil”.
 

É, propriamente, uma arquitetura do clima quente e úmido do nordeste brasileiro. Seus vedos leves suportam bem as chuvas fortes, a aeração é favorecida pela trama dos trançados das palhas, trata-se de expressão única da cultura das comunidades locais a que Darcy Ribeiro chamou de “civilização da palha”.

Essa arquitetura, vestígio das origens do país, é rica de significados – expõem conhecimentos dos homens na construção de seu habitat, traduz a fragilidade do modo de vida e a histórica impossibilidade da propriedade da terra. Gilberto Freyre, em estudo de 1937 “Os mucambos do nordeste”, indica uma vasta área de ocorrência, desde o litoral da Bahia ao Maranhão, até o interior dos cerrados, avançando o Piauí. Buriti, pindoba, carnaúba, coqueiro da Ìndia, fornecem o material para os trançados, é tudo leve, fácil de armar e carregar, adequado ao transitório, ao deslocamento da vida sem posses. Freyre nos informa “... a denominação de casa desse tipo que mais se generalizou no Nordeste foi a africana: mucambo ou mocambo. Ou seja uma palavra quimbunda, segundo o Sr. Renato Mendonça, formada do prefixo mu+kambo, quer dizer esconderijo”.

Gilberto Freyre aponta, “O mucambo do nordeste oferece pontos do maior interesse quanto à sua ecologia: a composição do material varia conforme a diversidade de vegetação, dentro da paisagem regional. Por outro lado, nas suas diferenças de técnica de construção se exprime a preponderância, ora da cultura indígena, ora da africana, sendo certo que persiste também influência da choupana portuguesa”.

Fontes:
http://64.233.187.104/search?q=cache:I_cjVKgw6IJ:naeg.prg.usp.br/ promat_formulario/
download.phtml%3Fprj_id%3D20%26arq_secao%3Dcadastro+%22Mucambo%22&hl=pt-BR


Recife/Cidade

Nem tudo que reluz é ouro. Hoje em dia, uma das grandes riquezas é a tecnologia. Nos tempos do Brasil colonial, o açúcar foi a grande riqueza. Naquela época, Pernambuco foi a capitania brasileira que obteve maior sucesso durante o período de colonização devido ao fato de ser o lugar mais fecundo para a produção de cana-de-açúcar. O Recife tornou-se capital de Pernambuco em 1827, embora tenha se tornado cidade um pouco antes, em 1823. O Recife é conhecido como a Veneza Brasileira, face a sua similaridade com a cidade anfíbia italiana.


“Recife, fundada no século 16, é a “Veneza Brasileira” com as suas pontes, suas igrejas e seu passado da época do domínio Holandês. Hoje Recife é uma cidade moderna, com inúmeras fábricas e um pôrto movimentadíssimo, sendo considerada a Metrópole do Nordeste.”
 

O Recife teve a presença holandesa na primeira metade do século XVII e, face às similaridades com o território holandês, possibilitou a importação de tecnologia flamenga incluindo a construção de pontes e canais com o objetivo de controlar a presença da água sobre o território recifense. Com a expulsão dos holandeses após duas batalhas travadas no Monte dos Guararapes em 1648 e 1649, a capitania de Pernambuco conheceu um período de dificuldades econômicas. Foi veemente a necessidade de reconstrução. Essa necessidade considerada como marco inicial de formação de sentimento de identidade entre os colonos daquela época.

Ao longo do século XIX, o Recife foi inspirado pelo ideário liberal surgido tanto na Europa no século anterior envolvendo a Revolução Francesa (1789) e concepções iluministas quanto na América do Norte com a independência dos EUA (1776). Esses fatos influenciaram a história do Recife no século XIX, o qual foi marcado pela luta política e busca de autonomia. Também, contribuíram para eclodir as Revoluções de 1817, 1824 e 1848. Essas experiências fizeram parte da história política do Recife e, assim, a cidade foi formando uma identidade heróica que faz parte de sua memória até hoje.

O Recife passa de capital da terra do açúcar a capital do carnaval e do frevo no início do século XX. A palavra frevo, que vem de ferver, dar a idéia de efervescência e agitação. O frevo nasceu das marchas e maxixes. Também, afirma-se que as fanfarras contribuíram para a formação do frevo.  

O carnaval recifense possui música e dança carnavalesca própria, sendo original e nascida do povo. O mesmo é dito da cultura pernambucana.

Fontes:http://www.espacoacademico.com.br/022/22amsf.htm


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