Viajando pelo Brasil

Pictorial travel around the Brazil
Memory of the mid-twentieth century - 1950 circa
Eucalol series 256 a 279
Texto extraído do verso das estampas
Desenhos do artista Percy Lau
Das coleções do Rio de Janeiro

Goiás (série 277)

 
pag 22


Boi de Sela

“O Estado de Goiás conta com mais de quatro milhões de cabeças de gado e são famosas as sua tropas e boiadas. No interior goiâno é muito comum o uso do boi de sela, servindo de montaria.”

 

O Boi-de-sela é utilizado como montaria nas fazendas de criação de gado da Ilha de Marajó e do Pantanal Mato Grossense. O uso do animal parece estar ligado à ocorrência de tripanossomíase, doença que afetava os cavalos nas áreas referidas. A doença teria aparecido em Marajó pela primeira vez em 1828, constituindo verdadeira epidemia até aproximadamente 1836, quando quase todo o gado cavalar da região foi extinto, sendo substituído pelo Boi-de-sela. Em vez de freio, esses animais são controlados por uma argola, presa no focinho através de um furo no septo nasal, á qual se ligam às rédeas. Uma vantagem na utilização do boi como transporte, é que estes animais são mais resistentes ao período de enchentes.


Fontes:


Grande Enciclopédia Delta Larousse, Editôra Delta S.A - Rio de Janeiro, 1970. PAG. 918.

www.escolavesper.com.br/historia/folclore.htm

www.brasilcultura.com.br/conteudo. php?menu=90&id=1017&sub=1055


www.bvsalutz.coc.fiocruz.br/html/pt/ static/trajetoria/instituto/instituto_mal_cadeiras.htm - 26k


Transporte de Água



“No sertão goiâno é raro o serviço de água corrente. As populações se abastecem nos poços, cacimbas, rios ou fontes. É uma cena típica e comum a ida e vinda de homens e mulheres transportando água em latas, potes, jarras ou barris.”
 

Até a criação de Brasília a cidade de Goiânia era a mais nova capital do país. No início do século XX, a capital do Estado de Goiás era a Cidade de Goiás, surgida durante o ciclo de mineração e que se encontravam em profunda decadência. Afastada do centro econômico do Estado, localizada num sítio pouco propício ao desenvolvimento urbano, sofria de deficiente abastecimento de água e de precário suprimento de energia elétrica. Decidiu então o governo estadual transferir sua cede para o local situado no centro demográfico do Estado e onde pudesse contar com transporte ferroviário. Assim, em 1933, foi decretada a mudança para a chamada zona de Mato Grosso de Goiás, onde se desenvolvia uma ativa frente pioneira, estimulada pela aproximação da estrada de ferro que em breve a ligaria a região do triângulo mineiro.

Fonte:
Grande Enciclopédia Delta Larousse, editora delta S.A- Rio de Janeiro , 1970 –PÁG. 3095.


Carro de Boi

O carro de boi foi, sem dúvida alguma, um dos fatores que muito concorreram para o progresso rural do Brasil. Primeiro veículo de transporte que a nossa terra possuiu, o carro de boi, "afundando o chão" virgem do Brasil-Colônia e Império, nele escreveu, com os sulcos paralelos de suas rodas pesadas e maciças, os primeiros capítulos da história do povoamento e agricultura nacionais.

"O carro de boi, tão conhecido e usado em todo o interior do Brasil, tem muita aplicação no interior goiano. Dizem que o carro de boi “afundou o chão” da nossa terra marcando desde os primeiros tempos da nossa história os caminhos da agricultura e da fundação de fazendas e cidades brasileiras."

 

O uso do carro de bois como meio de transporte de cargas praticamente desapareceu, mas a tradição se mantém, como em Goiás. Neste estado existe uma romaria feita nesses carros, que se deslocam em caravanas engrossadas a cada entroncamento, carregando o “de um tudo” para a viagem. Os mestres da fabricação do carro não tem sucessores, mas espera-se que em alguma tese um pesquisador recupere todo o processo de construção, que inclui a escolha das madeiras ainda árvores e a determinação da melhor época para a derrubada, e os trabalhos de serraria e forjamento das ferragens. Para cada peça existe uma madeira própria: a do canzil (peça da canga) leva o nome de canzileiro.

Fabricar um carro de bois é uma especialização que beira a arte, pois cada mestre imprime seu estilo. Um detalhe interessante é que o cantar do carro resultante do atrito do chumaço (mancal de apoio do eixo) com o eixo, é aproveitado para conferir ao carro uma identidade através de uma espécie de afinação da qual resulta cada carro ter um cantar próprio, inconfundível, que permite, à léguas de distância, saber que o fulano está saindo com o carro carregado e em qual direção. O carro de bois é um exemplo de trabalho solidário, pois todos os bois puxam juntos sem perder a sua especialização: os de coice garantem o equilíbio do carro e o seguram quando de ladeira abaixo; os do meio puxam seguindo a junta de guia; e os da guia seguem o “candieiro”.“Candiar” um carro é, geralmente, serviço de menino, pois o “motorista” é o “carreiro” que caminha ao lado do carro ou vai sobre ele, na posição das braçadeiras. O carreiro deve ser uma pessoa calma, amigo dos bois, mas com autoridade para ser obedecido nos comandos verbais.

Fonte:
www.serrano.neves.nom.br/textafins/1tsa.pdf+carro+de+bois


Índios de Goiás

O Estado de Goiás, de acordo com o IGPA, começou a ser ocupado por grupos indígenas muito antes da chegada de Pedro Alvares Cabral. "Esta ocupação humana iniciou-se, pelo menos, 10 mil anos antes do presente", afirma documento do Instituto. Esses grupos indígenas viviam inicialmente em bandos, eram caçadores - coletores nômades, instalavam-se, temporariamente, em abrigos sob rochas ou em locais abertos. Lascavam e utilizavam instrumentos de pedra com grande habilidade.

Posteriormente, em torno do Século IX, além do conhecimento da transformação da pedra, também utilizavam a argila para confecção de vasilhames cerâmicos, relacionados principalmente a uso doméstico e praticavam a agricultura. No século XVIII, os colonizadores, no intuito de explorarem as jazidas de ouro, encontraram as sociedades indígenas assim distribuídas: o grande grupo Kaiapó dominava todo o sul de Goiás - suas aldeias localizavam-se na região do rio Claro, na serra dos Caiapós, em Caiapônia, no alto curso do rio Araguaia e a sudeste, na região próxima ao caminho de Goiás para São Paulo.



“ Na época do descobrimento do Brasil, os índios ainda estavam na fase da caça e pesca e da lavoura rudimentar. Nas selvas de Goiás os Chavantes, Tapires, etc., vivem ainda como seus antepassados mas sua lavoura é ainda mais primitiva.”

 

Ao longo do século XIX, à medida que se consolidava a colonização no Brasil Central, várias aldeias indígenas foram destruídas, seja pelas guerras entre índios e colonizadores, seja pela formação de aldeamentos indígenas oficiais ou por epidemias. Além de aldeias, etnias inteiras desapareceram do território goiano.

No século XX, Goiás possuía, anteriormente à sua divisão em dois estados (Goiás e Tocantins), as seguintes áreas indígenas: os Apinajé, que habitavam aldeias da região de Tocantinópolis; os Krahó, com seus territórios definidos entre os municípios de Itacajá e Goiatins; e os Xerente, encontrados na região de Tocantínia e nas proximidades da área em que se construiu a cidade de Palmas, capital do Estado do Tocantins. O grande grupo Karajá ainda se encontra em todo o território compreendido pela Ilha do Bananal e ao longo do Rio Araguaia, ao norte, onde vivem os Xambioá.

Ao Estado de Goiás, após a divisão, restaram os Karajá, desde há muitas décadas radicados em Aruanã; os Avá-Canoeiro que, na década de 1980, tiveram sua área interditada na região do rio Maranhão/Tocantins, vivendo parte deles ainda nesta área e outra parte na Ilha do Bananal. Os Tapuia do Carretão, remanescentes de antigas etnias aldeadas no aldeamento de Pedro III do Carretão, no século XVIII, encontraram-se onde hoje ficam os municípios de Rubiataba e Nova América.

Fonte:
http://www.ucg.br/flash/Flash2006/Abril06/060419igpa.html


Índios Fiando Algodão

A Missão Rondon não foi importante somente para o desenvolvimento econômico do país, mas também para o processo de civilização dos povos indígenas. O líder da maior missão de lançamento linhas telegráficas, Marechal Cândido Rondon foi também a figura chave para a desmistificação da imagem violenta dos índios.

Ao final da missão, os índios encontravam-se cheios de novos costumes e maneiras. Cândido Rondon, fez o possível para proporcionar aos povos indígenas técnicas e ferramentas que os ajudassem em seus afazeres diários.


“Depois da Missão Rondon foi que os índios conheceram novos instrumentos de trabalho, passaram a vestir-se e alguns deles aprenderam ofícios e cursaram colégios. Os Ariti, às margens do Juruena, empregam hoje suas atividades na fiação do algodão.”
 

Hoje, os grupos indígenas de Goiás trabalham na produção de artefatos e indumentária, e criam artigos através de operações individuais. Mas o artesão nem sempre se torna o proprietário do novo bem, principalmente em relação aos instrumentos de trabalho.

Grande parte dos materiais empregados na elaboração do artesanato é de origem nativa – madeira, embira, fibra de buriti, algodão etc.

Do fio do algodão, os índios tecem faixas, tangas, túnicas e outros acessórios que são, em geral, utilizados por toda a tribo em todo tipo de cerimônias e rituais A produção dos fios de algodão para confecção dos artefatos é tarefa feminina. Para a preparação dos fios, utilizam uma espécie de fuso com disco de pedra, que é relativamente comprido, grosso e pesado. O instrumento é composto ainda de eixo ou haste, e a rodela; O eixo é feito de paxiúba. O fio é colocado neste eixo e a rodela é colocada perto da extremidade inferior, servindo de suporte para o fio aprontado.

Mas os índios utilizam-se também de produtos industrializados, como contas e miçangas de porcelana e vidro, fio de lã e de algodão, lata, prego, corante etc. Dentre esses itens, o fio de lã compete com o de algodão nativo e tende em alguns casos (como para a confecção de redes de dormir) a substituí-lo integralmente.

Fontes:
http://www.ronet.com.br/marrocos/rondon.html
https://www.socioambiental.org/pib/epi/kamaiura/ativ.shtm


Nos Êrmos e Gerais



“ No interior do Estado do Goiás o homem não vive somente das boiadas, do plantio e desbravamento das matas. Sabe também divertir-se, tocar e cantar suas cantigas regionais, tão conhecidas no folclore nacional.”
 

Na região de Goiás vamos encontrar o índio e o branco, como os principais elementos do folclore local. Os Bandeirantes, fixando-se com suas famílias na região foram criando vilas e cidades, sendo sua principal atividade o garimpo, uma vez que o ouro e as pedras preciosas afloravam nesta região.

Os instrumentos de trabalho de um garimpeiro são pás, picaretas, batéias, peneiras entre outros. Encontramos em Goiás como atividade artesanal o trabalho feito em tear manual onde velhas tecelãs, misturando os fios de algodão de várias cores em diferentes pontos, fazem lindíssimas colchas, roupas infantis e de cama sendo os tecidos tingidos com tintas corantes.

Existe nesta região a Cavalhada , um folguedo que nos foi legado pelos portugueses e que simboliza a luta entre os cristãos e os mouros. Os cristãos vestem-se de branco e azul, cores do céu e da pureza, com espadas retas que simbolizam a retidão da justiça.

Os mouros, de vermelho e verde, cores da chama do inferno das amarguras, com espadas curvas simbolizando o mal. E cada grupo procura trajar-se mais ricamente que o outro. É a representação da conversão onde o bem luta contra o mal e o vence.
Há diversas tribos de índios localizadas no extremo norte de Goiás, sendo as principais : Os Tapirapés, os Carajás e os Javaés. Algumas tribos enfeitam o lábio inferior, as orelhas e tatuam o rosto. Outras, colam com uma resina flocos de algodão nos braços e pernas .

Fontes:
http://www.brasilnoar.com.br/brasil/folclore.asp
http://www.brasilcultura.com.br/conteudo.php?menu=90&id=1021&sub=1063


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