Imagem de Esopo segundo Heindrich Steinhöwel (1476, circa)

Esopo e as Fábulas

Esopo nasceu na Frigia, quase seis séculos antes de Cristo. Foi escravo nos primeiros anos da vida em Atenas e Samos. Esopo soube ganhar a estima do filosofo Jadmon( ou Janto de Samos) de quem era escravo. Impressionado com o talento de Esopo, que prelecionava moralidade em forma de apólogos, concedeu-lhe a liberdade. Alforriado, saiu para a Ásia Menor e para Sardes, e ganhou a amizade de Creso (último rei da Lídia da Dinastia Mermnada (560-546 aC), por longos anos.
Foi Esopo enviado à Grécia por Creso e assistiu, no dizer de Plutarco, ao banquete dos sete sábios, em casa de Periandro, tirano de Corinto, um dos sete. Provavelmente foi nesta viagem que ele se esforçou por incutir paciência aos atenienses avexados por Periandro, contando-lhes a fábula das rãs que pediram um rei. Por último, passou a Delphos, onde, conforme as ordens de Creso, devia imolar um grande holocausto a Apolo, e dar a cada habitante considerável quantia.
Irritado, porém, com a cupidez e perfídia dos délficos, reenviou a Creso o dinheiro, que devia repartir pelos moradores, cujo amor próprio exulcerou, aplicandolhes a fábula dos cajados flutuantes. Exasperados pelos escárnios, juraram vingar-se e, neste intento, esconderam na bagagem de Esopo uma taça de ouro pertencente à baixela do templo. Acusado de a ter roubado, Esopo foi perseguido, apalpado, julgado réu, e condenado ao precipício da rocha Hiampéia, à laia de sacrifício.

Fonte: E.M.Campagne, Dicionário de Educação e Ensino, vol. 1, págs. 926-928

A Virtude

Os atenienses levantaram ao talento
de Esopo uma estátua, e colocaram-na,
embora escravo, num pedestal eterno,
para que se saiba que a todos está aberto
o caminho da honra, e que a glória se
atribui, não à linhagem, mas à virtude.

Fedro

 

 

O Gênero de Esopo

Na sua fábula intitulada Prologus - Auctor (VV. 1-4), o fabulista latino Fedro escreve:

Exemplis continetur Aesopi genus;
Nec aliud quidquam per fabellas quaeritur
Quam corrigatur error ut mortalium
Acuatque sese diligens industria.

O gênero de Esopo é constituído de exemplos;
e por meio de fábulas não se pretende outra coisa
senão que seja corrigida a ignorância dos mortais
e estimulada a sua atividade consciente.

E em outra fábula, Phaedrus ad Eutychum (VV.33-7), o mesmo autor acrescenta:

Nunc fabularum cur sit inuentum genus
Breui docebo: Seruitus obnoxia,
Quia, quae uolebat, non audebat dicere,
Affectus próprios in fabellas transtulit,
Calumniamque fictis elusit iocis.

Agora resumidamente ensinarei por que foi inventado o gênero das fábulas: Como a escravidão submissa não ousava dizer o que queria, disfarçava em fábulas os seus próprios sentimentos, esquivando-se da punição com imaginosos divertimentos.

Entretanto, ao que parece, cabe às fábulas esópicas o mérito da primazia em atribuir alegoricamente virtudes e defeitos humanos a determinados animais, como, por exemplo: ao leão, a majestade; à raposa, a velhacaria; ao lobo, a brutalidade; ao camelo, a complacência; à formiga, a previdência.

Fonte: Anotado do Professor da UFRJ, Manuel Aveleza de Souza "As Fábulas de Esopo", Thex Ed., Rio de Janeiro, 1999, p. XXIX.

As Fábulas de Esopo Modernizadas
adaptadas para a 1ª. Guerra mundial
Tuck`s Post Card

Trata-se de uma série de 6 cartões postais sobre as fábulas de Esopo adaptadas para a primeira guerra mundial. No verso dos cartões há sempre uma explicação resumida da fábula e da histórica aliança dos países em guerra. Com desenhos de F.Sancha, 1915 (circa) segundo o catalogo Neudin "Illustrateurs" , 1991, pag. 380.

O Estopim da 1ª. Guerra Mundial

Em 29 de junho de 1914, o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro anunciava em suas páginas, um atentado anarquista ocorrido na cidade de Sarajevo:

"O Arquiduque Francisco Fernando e sua esposa acabam de ser vitimas de um atentado. Quando o cortejo em que seguiam os herdeiros do trono imperial marchava em direção à Municipalidade, um tipógrafo, por nome de Cabrinovic , natural de Trebinje (Herzegoniva), arremessou contra a carruagem do Arquiduque uma bomba cheia de pregos e cujo invólucro era constituído por uma garrafa.
A bomba, batendo no assento traseiro do carro, caiu no chão e explodiu justamente quando sobre ele passava a segunda carruagem, onde seguiam vários membros da comitiva, entre os quais o coronel Merrido, ajudante de campo do Arquiduque, que foi atingido no pescoço por um estilhaço, e o Conde de Booszu-Waldeck, que também ficou ferido. Além destas também ficaram feridas mais nove pessoas".

 

"No momento, porém, em que o cortejo dobrava a esquina das ruas Rodolpho e Francisco José, um mancebo, que se destacou bruscamente do público apontou uma pistola browning e desfechou-a quatro vezes contra a carruagem de suas altezas. O Arquiduque, que a principio tinha sido atingido no rosto, ficou mortalmente ferido no lado direito do ventre, ao mesmo tempo em que a Arquiduquesa, com a carótida cortada por outra bala, lhe caía sobre os joelhos."
Este episódio ficou conhecido como o estopim da 1ª. Grande guerra.

Obs: Veja detalhes e histórias no Dossiê O Mundo em Armas, publicado na revista de História da Biblioteca Nacional, número 37, outubro 2008, pags. 14-34.

 Cartão Postal da Guerra na Europa - coleção Paulo Bodmer

 

O Brasil na 1ª Guerra Mundial

Repetidos afundamentos de navios mercantes brasileiros, entre outros o Paraná (abril de 1917), o Tijuca ( maio de 1917), o Lapa (também em maio), o Macau (outubro de 1917), levaram o país, em outubro de 1917, a declarar guerra ao império alemão e a seus aliados - o império Austro-Húngaro, o Império Otomano e a Bulgária. O Brasil veio a se juntar aos Aliados, entre eles a França, Reino Unido, Rússia, Grécia, Bélgica, Portugal, Itália, Sérvia, EUA, Japão e Romênia.
A frota brasileira, conhecida como DNOG - Divisão Naval em Operações de Guerra - foi formada com 2 cruzadores, 4 contratorpedeiros, 1 rebocador e 1 navio-tênder, para apoio e abastecimento. A missão teve inicio em maio de 1918 saindo a esquadra do porto do Rio de Janeiro e deixando o território brasileiro em 1 de agosto, de Fernando de Noronha em direção a Freetown, em Serra Leoa, na África. Em 25 de agosto, quando rumava para Dakar, na África, escaparam por pouco de um ataque de submarino. Com a missão de patrulhar submarinos germânicos, a esquadra brasileira foi devastada por outro inimigo, quando em 6 de setembro, em Dakar, a gripe espanhola irrompeu com toda a sua virulência, derrubando a tripulação. Deixando Dakar no fim de outubro em direção a Gibraltar com apenas um cruzador e 3 contratorpedeiros, a frota brasileira já estava semi destruída e com vários mortos sem levar um único tiro. Em 10 de novembro de 1918, o restante da esquadra chegou a Gibraltar, mas como dizem que "Deus é brasileiro", no dia seguinte, em 11 de novembro de 1918, foi assinado o armistício que pôs fim a guerra.

Obs: Veja detalhes e outras histórias deste pesadelo no artigo "Pior do que a Guerra", do historiador Francisco Eduardo Alves de Almeida em Revista Histórica da Biblioteca Nacional, número 37, outubro 2008, pags. 30-31.

 

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