O Acervo Escultórico do Rio de Janeiro

 
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Monumento à Princesa Isabel

O monumento aparece Princesa Isabel de corpo inteiro, usando um vestido e em uma das mãos uma caneta de pena, simbolizando o momento em que foi assinado a Lei Áurea.



Pesquisa Acadêmica - Estátuas e Bustos Históricos na Cidade do Rio de Janeiro. UFRJ, 2005
 

Em 14 de novembro de 1921 morria Isabel Cristina Leopoldina de Bragança, a Princesa Isabel. Nascida em 29 de Julho de 1846, no Rio de Janeiro, ela era a segunda filha de D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina. Isabel foi por três vezes regente do Império. Nas ausências do Imperador D. Pedro II, substituiu o Governador, com os gabinetes Rio Branco (1871 a 1872), Caxias (1876 a 1877), Cotegipe e João Alfredo (1877 a 1888). Sancionou as Leis relativas ao primeiro recenseamento do Império, naturalização de estrangeiros, desenvolvimento da viação férrea, solução de questões de limites territoriais, e relações comerciais com países vizinhos. Em 28 de setembro de 1871, sancionou a Lei do Ventre Livre, e em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea, lei esta que extingiu a escravidão em todo Brasil. Por ter promulgado a Lei Áurea, a Princesa Isabel alcançou um lugar de destaque na História do Brasil. Esse ato conteve um longo combate, sustentado pelos abolicionistas, que não concordavam em aceitar a aplicação da escravidão de seres que tinham o mesmo direito à liberdade.

Entretanto, essa atitude persuadiu o destino da monarquia, que teve suas colunas abaladas a tal ponto que não cederam as investidas dos republicanos, agora apoiados pelos fazendeiros, que exigem indenizações pela perda de seus "bens", mas não receberam.
Logo depois da Proclamação da República, tendo sido a família Imperial banida do território nacional, a Princesa acompanhou-a no exílio, na França, onde faleceu. Seus restos mortais foram transferidos para o Rio de Janeiro, juntamente com os de seu marido em 6 de julho de 1953.

LEI Nº 3.353, DE 13 DE MAIO DE 1888.

A PRINCESA IMPERIAL Regente em Nome de Sua Majestade o Imperador o Senhor D. Pedro II, Faz saber a todos os súditos do IMPÉRIO que a Assembléia Geral Decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:
Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
Manda portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.
O Secretário de Estado dos Negócios d'Agricultura, Comércio e Obras Públicas e Interino dos Negócios Estrangeiros Bacharel Rodrigo Augusto da Silva do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.
Dado no Palácio do Rio de Janeiro, em 13 de Maio de 1888 - 67º da Independência e do Império.
Carta de Lei, pela qual Vossa Alteza Imperial manda executar o Decreto da Assembléia Geral, que Houve por bem sancionar declarando extinta a escravidão no Brasil, como nela se declara.
Para Vossa Alteza Imperial ver.

http://vivabrazil.com/pisabel.htm


Monumento a Quintino Bocaiúva

A fim de perpetuar no bronze a memória do grande patriota, foi lançada e coroada de êxito a idéia de elevar-lhe um monumento, cuja inauguração foi em 15 de novembro de 1944, nas proximidades do Jardim Botânico. (Monumentos da Cidade – Reportagem publicada pelo Diário de Notícias, 1946, RJ)

Quintino Bocaiúva (1836-1912) nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Órfão, desde cedo, dedicou-se às letras e ao jornalismo. Um dos principais integrantes da campanha republicana, foi o primeiro ministro das Relações Exteriores no novo regime.
Foi eleito senador pelo estado do Rio de Janeiro para a Constituinte Federal de 1891. Renunciou ao cargo logo após a promulgação da Carga. No ano seguinte foi novamente eleito para o Senado, onde permaneceu até o ano de 1900, quando renunciou ao cargo para assumir a governadoria do estado. Exerceu a presidência do estado de 31 de dezembro de 1900 até 1903. Durante seu governo foi promulgada a Lei n° 542, de 4 de agosto de 1902, que determinou a volta da capital para Niterói. Foi novamente conduzido ao Senado em 1909, vindo a falecer três anos depois no cargo de vice-presidente do Senado.

http://www.alerj.rj.gov.br

 

Diário de Notícias. Monumentos da Cidade, Rio de Janeiro - 1946

Monumento a Santos Dumont

Localizado na praça Santos Dumont, em frente ao aeroporto. O inventor do balão dirigível e do aeroplano está sentado, pensativo e segurando uma peça de motor de avião, com alguns livros do lado. Foi inaugurado em 23 de outubro de 1942, tendo como autor Amadeu Zani. (Carlos Sarthou - As Estátuas do Rio de Janeiro, Leo Editores, RJ)



Acervo do professor Paulo Bodmer
 

Desde jovem, Santos Dumont tinha duas obsessões em mente: a primeira era voar; a segunda, alcançar a fama.
Em 1898 seu primeiro balão (o Balão Brasil), voou sobre os céus de Paris. Seu próximo passo foi construir um veículo voador que fosse dirigível.
O primeiro grande feito do brasileiro, que lhe valeu o reconhecimento e os elogios de personalidades como o inventor Thomas Edison, foi a ousada circunavegação da Torre Eiffel, em 1901, com seu dirigível nº 06. Pelo 14-Bis, em 1903, que o tornou o primeiro homem a voar com uma máquina autopropulsionada e mais pesada que o ar, recebeu o prêmio Archdeacon, de 3 mil francos. Durante 10 anos, Santos Dumont construiu 20 balões e aeroplanos, voou em todos eles e submeteu-se a todos os tipos de tensão e de descargas elétricas. No fim de sua vida, Santos Dumont sofria de duas graves doenças, depressão crônica e esclerose múltipla. Com a saúde cada vez mais debilitada e vendo o seu invento ser cada vez mais utilizado como arma de guerra, começou a ter progressivas crises de depressão. A consagração dos irmãos Wright foi outro motivo de contrariedade. Em 1931, ele volta ao Brasil para viver em Petrópolis (RJ), em uma pequena casa projetada por ele, a Encantada, hoje Museu Santos Dumont. No ano seguinte, a morte trágica. Conta-se que ao saber do emprego de aviões na Revolução Constitucionalista de 1932, foi tomado de forte depressão e, aos 59 anos, no dia 23 de julho, comete suicídio, se enforcando com uma gravata no Grande Hotel de La Plage, no Guarujá, litoral paulista. Se sua morte foi motivada pela desilusão com o uso bélico do avião ou se foi simplesmente conseqüência da terrível doença, nunca se soube com certeza.

No início do século, ele chegara a autorizar que seus balões fossem usados para fins militares na França, mas com certeza não imaginava o poder de destruição que seu invento poderia adquirir. Postumamente recebeu o título de marechal-do-ar e, por decreto, foi proclamado patrono da Força Aérea Brasileira (1971). Uma curiosidade é que a certidão de óbito do invetor ficou desaparecida por cerca de 23 anos. O motivo da morte foi omitido desde a ditadura de Getúlio Vargas, quando criou-se a figura-mito do herói nacional. Os governantes acreditavam que um herói suicida não ficaria bem nos livros de história. Quando foi encontrada, dava como causa mortis um suposto 'Colapso Cardíaco'.
O homem que conheceu cedo a glória terminaria seus dias mergulhado na loucura e no desespero. Mas o seu nome permanece cravado na história como um dos grandes e poucos homens que mudaram definitivamente o curso dos acontecimentos.

http://revistaepoca.globo.com


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