Venenosas


Ilustrador não identificado.
Postal circulado em 1900.

As Núpcias da Valisnéria

       Não podemos deixar as plantas aquáticas, sem lembrar de relance a vida da mais romanesca delas: a lendária Valisnéria, uma hidrocarídea, cujas núpcias constituem o mais trágico episódio da história amorosa das flores.

       A Valisnéria é uma erva insignificante, que não tem nada da graça estranha do nenúfar ou de certos filamentos submarinos.

       Mas parece que aprouve à natureza realizar nela uma formosa idéia.

       A existência da pequenina planta decorre toda no fundo da água, numa espécie da sonolência, até à hora nupcial, em que a planta aspira a uma vida nova. Então, a flor fêmea desenrola lentamente a longa espiral do seu pedúnculo, sobe, emerge, e vai pairar e desabrochar á superfície da água. De uma haste próxima, as flores masculinas que a entrevêem através da água repassada de sol, elevam-se também, cheias de esperança, para aquela que se baloiça, que as espera, que as chama para um mundo encantado. Mas chegadas a meio caminho, as flores masculinas sentem-se retidas imprevistamente, a sua haste que é a fonte da sua própria vida, é muito curta; e, portanto, nunca elas atingirão a estância de luz, onde se possa realizar a união dos estames e do pistilo.

       Houve acaso inadvertência em a natureza, ou provação cruel?

       Imaginai o drama daquele desejo, o inacessível que quase se toca, a fatalidade transparente, e impossível sem obstáculo visível !

       Seria drama sem solução, como é o nosso próprio drama neste mundo; mas eis que se lhe junta um elemento inesperado. Teriam os machos o pressentimento da sua decepção? É certo que eles tinham encerrado em seu coração uma bolha de ar, como se encerra em nossa alma um pensamento de libertação desesperada.

       Parece que eles hesitam por um momento; mas depois, com um esforço magnífico, - o mais sobrenatural, que eu conheço, nos fastos dos insetos e das flores, - para se elevar até á felicidade, despedaçam o vinculo que os prende á existência. Arrancam-se do seu pedúnculo, e, num impulso incomparável, entre pérolas de alegria, as suas pétalas vão rasgar a superfície das águas. Feridos de morte, mas radiantes e livres, flutuam por um momento ao lado das suas noivas descuidosas; e efetua-se a união, indo depois os sacrificados perecer, levados á mercê da água, enquanto a esposa, já mãe, cerra a sua corola, onde vive o ultimo sopro do macho, enrola a sua espiral e desde de novo ás profundezas, onde amadurecerá o fruto do beijo heróico.

FONTE: Maurice Maeterlinck “A Inteligência das Flores”. Clássica Editora, 3/e, Lisboa, 1921

Noivado em Sangue

Les Plantes Nuisibles Renault/Rousseou - Paris 1902

Planches


  5. Tussilage ou Pas d´Âne
  7. Narcisse Jaune

      Narcisse des Jardins
  9. Sarothamne à Balais
10. Épine Noire ou Prunier Épineux
11. Caltha des Marais

15. Orge des Rats
      Brôme Sterile
16. Jusquiame Noire
17. Plantains
18. Berberis Épine Vinette
21. Rumex

25. Bleuet
26. Coquelicot
28. Liseron des Champs
29. Mourtade des Champs
31. Radis Ravenelle

32. Sauge des Prés
34. Chardon des Champs
      Chardon Penche
36. Berce

38. Bryone
40. Gratiole

41. Cenanthe ou Phellandre Aquatique
43. Ronce bleue
      Ronce frutescente
44. Euphorbe petit Cyprès

      Euphorbe peplus
45. Ail des Vignes
50. Ivraie

51. Laiteron
52. Melampyre des Champs

54. Onopordon Acanthe
55. Datura Stramoine
58. Euphraise

62. Serratule des Teinturiers
65. Matricaire Camomille

67. Aconit Napel
69. Ethuse
71. Ergot du Seigle
     Carie du Ble

[Flores]