ENTREVISTAS
COM COLECIONADORES
Luiz
José Gintner
Luiz
José Gintner, brasileiro de Treze Tílias, cidade fundada
por austríacos em Santa Catarina, proporcionou os primeiros contatos
com os EX LIBRIS quando, em sua biblioteca e, de maneira competente,
carinhosa e compreensiva, discorreu sobre eles, mostrou o que possuía,
permitiu xerocar material e colocou à disposição
o seu tempo, a sua biblioteca e os seus conhecimentos.
-
Qual é a sua profissão?
- Sou escritor, também considerado, pêlos amigos, um bibliófilo.
Possuo uma coleção de aproximadamente 30 mil livros, sem
que dela faça parte obras consideradas muito raras. Os documentos
mais antigos datam de 1.500. Publiquei algumas obras, destacando "Em
busca de Uliput" que trata da história e da geografia dos
pequenos países do mundo.
-
Quando e como iniciou a sua coleção?
- A data precisa não me recordo, mas há muitos anos. Tive
a oportunidade de adquirir duas coleções já organizadas:
a de Kurt Prober, grande colecionador, residente no Rio de Janeiro,
que resolveu manter somente uma coleção temática
e me vendeu os demais exemplares de sua coleção e a de
João Mós que tive o privilégio de conhecer e me
vendeu, por um preço simbólico, a coleção
de Ex Libris que possuía. Eu também possuo uma rara coleção
chamada de Dinheiro de Emergência, que estavam em uso, depois
da Segunda Guerra Mundial, em centenas de pequenas cidades e vilas da
Europa.
-
Qual a quantidade de EX LIBRIS que possui?
- Tenho, uma coleção considerável, com mais de
2 mil exemplares.
-
Que tipo de EX LIBRIS coleciona?
- Por enquanto a minha coleção é geral, não
posso dizer que possuo uma coleção temática. Acrescento
ao existente tudo que encontro ou recebo de amigos. A organização
da coleção consiste em destinar para cada Ex Libris uma
folha com o cabeçalho Coleção Luiz.José
Gintner; na margem inferior está escrito Ex Libris; em volta
da folha um desenho artístico e no meio o Ex Libris.
-
Qual a sua definição de EX LIBRIS?
- Eu sei que a palavra é de origem latina e significa "dos
livros" ou também "do meu livro". Seu uso era
muito comum na antiguidade e no século passado, onde as pessoas
criavam um selo, uma identificação para colar no início,
mais comum, ou no final de seus livros para mostrar que eles tinham
dono. Então, vamos chamar o Ex Libris de rótulo, de registro
histórico, foi muito importante e espero que um dia a mania volte.
-
Qual a utilidade do EX LIBRIS?
- Bem, é aquilo que eu falei anteriormente. É algo que
identifica o livro como propriedade de alguém, seja através
de nome, de insígnias, de rubrica, em forma de desenho ou de
qualquer coisa semelhante transformada em peça artística.
Assim, vejo como utilidades:
a) preservar a propriedade;
b) funcionar, nos casos de empréstimo, como lembrete de devolução;
c) desejo artístico de enriquecer coleções particulares
ou públicas, uma maneira de torná-las reconhecidas e destacadas;
d) histórica, pois marcam uma época e
e) afetiva, quando alguém pode dizer: "olha, este livro
é da minha família, observe o Ex Libris".
-
Qual o mais antigo EX LIBRIS de seu conhecimento?
- Acredito que seja o Ex Libris pertencente ao monge Hildebrand de Brandenburg,
confeccionado na Europa em 1470. Outros bem antigos são os de
Jeân de Ia Tour-Blanche, produzido em Portugal entre 1525 e 1529
e o de Dom Jorge de Almeida, arcebispo de Portugal, também do
século XVI. É possível que existam outros bem mais
antigos.
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Possui EX LIBRIS próprio?
- Sim, eu possuo um Ex Libris baseado em brasão de família,
ou seja, de uma família nobre da Áustria da qual me considero
descendente. Do brasão constam duas tochas, duas estrelas no
centro um brasão com as cores da Áustria e uma armadura
em volta e está escrito: Biblioteca von Hager -Gintner e no brasão
ainda consta von und zu allensteig que era um dois títulos da
família e em baixo está: Acervo Cultural e Obras Raras.
Modéstia à parte, o brasão ficou bonito.
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Quem projetou?
- Eu mesmo projetei o meu Ex Libris baseado no brasão de minha
família.
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Que tipo de material utilizou?
- O material utilizado foi o papel
-
Quem produziu o seu EX LIBRIS?
- Quem produziu o meu Ex Libris foi o meu filho Christian Gintner.