O Acervo Escultórico do Rio de Janeiro

 
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Monumento ao Pequeno Jornaleiro



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Pouco mais de um metro de altura, feita por Fritz, (Anício Mota), um excelente caricaturista definitivamente esquecido. Inaugurada em 01 de Junho de 1933, em uma das solenidades da comemoração do “Mês da Cidade”, a estátua mostra a imagem do menino José Bento de Carvalho, vendedor de jornais.

O Pequeno Jornaleiro faz uma homenagem ao vendedor de jornais que, com vestes remendadas e em desalinho, andava no meio do tráfego (uma dúzia de bondes, três carroças e 28 automóveis), anunciando a última edição dos jornais: O Diário da Noite, de Shatô. Referente a um pequenino garoto de dez anos, ativo, tagarela e muito travesso, estava sempre a rir e sempre a cantar. Cantava o dia inteiro, num tom arrastado, apregoando as revistas que vendia. Parecia invulnerável com sua agilidade de ir e vir, correndo, galopando, atravessando as ruas com a rapidez de um raio. Considerado como uma espécie de pensionista do público – arrebatando as pontas de charutos que se jogam à rua e surrupiando, para revender, os jornais que se deixava esquecidos nos bancos de passeios. Era extraordinária a celeridade com que ele se transportava de um lugar para outro. Anunciando no Leme, na Tijuca, em Niterói, um jornal que ainda pensavam estar no prelo. Diziam que o pequeno tinha asas. Porém, também tornava-se importuno as vezes, quando, a correr pelas plataformas dos bondes, fazendo reviravoltas de símio para escapar à sanha de algum condutor rabugento, atordoava os ouvidos das pessoas com estupendos gritos estridentes. Nada lhe empanava a limpidez de espírito. Estava tão habituado a anunciar todos os dias “um grande atentado, um pavoroso incêndio, a prisão do célebre bandido fulano”, que afinal acabava por encarar todos esse fatos indiferentemente.

Tinha gestos próprios e expressões peculiares. Para ele um assassino era simplesmente uma “encrenca”, um conflito era um “rolo”. Não era somente o jornalista que explorava vantajosamente os crimes – ele o garoto endiabrado, também sabia tirar partido das mais insignificantes perturbações da ordem, revestindo todos os fatos de acessórios que lhes dão proporções extraordinárias. Enfim, sob certos pontos de vista, o pequeno garoto vendedor de jornais era uma espécie de jornalista em miniatura.

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MONUMENTOS DA CIDADE – REPORTAGEM PUBLICADA PELO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 1946, RJ.


Monumento ao engenheiro Cristiano Ottoni

O monumento ao Senador Cristiano Ottoni, foi levantado em frente ao edifício da estação D.Pedro II, sendo mais tarde transportado para o fundo da praça onde se encontra até hoje.O conjunto escultural da obra. É de Rodolfo Bernardello, apresenta ao alto, de pé, a figura de Cristiano Ottoni, tendo uma das mãos sobre o peito, o pedestal todo em granito retirado da Terceira Residência, mede 5 metros e 30 centímetros de altura. Os quatro cantos do pedestal simbolizam chaminés de locomotivas, deitando grossos rolos de fumo, e nas quatro faces há semicírculos imitando rodas. (Serro, Minas Gerais, 30 de Maio de 1811 – Rio de Janeiro, 18 de maio de 1896)
Foi Capitão Tenente da Marinha, engenheiro, professor de Matemática, diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II, Senador do Império e depois da proclamação da República foi investido do mandato de Senador Federal. É considerado o pai das estradas de ferro no Brasil por ter sido o primeiro diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II e o homem que fez os trilhos subirem a serra do Mar em direção a Minas Gerais e a São Paulo entre 1855 e 1865. Sendo um grande polemista por várias décadas de 1845 até à sua morte, apesar de ser ferrenho inimigo político do imperador, era tido por ele como um grande engenheiro e administrador. Participou também da epopéia de colonização do vale do Mucuri, último sertão inculto de Minas Gerais, onde, com grande número de elementos da família Ottoni, iniciou, em 1849 com a criação da Companhia de Comércio Navegação e Colonização do Mucuri (a primeira companhia que emitiu ações de Sociedade Anônima no Brasil), com uma linha marítima do Rio de Janeiro até São José do Porto Alegre, atual Mucuri, no litoral sul da Bahia. De Mucuri até Santa Clara, atual Nanuque era feita a navegação fluvial com navios a vapor subindo o rio Mucuri de Santa Clara até Filadélfia, atual Teófilo Otoni foi construída a primeira estrada carroçável do Brasil (1853). Esta companhia realizou a colonização trazendo 5 mil famílias de imigrantes alemães, italianos, iugoslavos e franceses, que povoaram esta vasta região construindo um dos mais importantes municípios de Minas Gerais.

 

Diário de Notícias. Monumentos da Cidade, Rio de Janeiro - 1946

Trabalhos Publicados
- Theoria das Máchinas a Vapor, Acompanhada da Descrição de cada parte e da Exposição das Principais Circunstâncias e Resultados Práticos, Relativos a sua Construção, Direção, Etc. Rio De Janeiro, 1844;
- Relatórios apresentados à Companhia da Estrada de Ferro D. Pedro II. Rio De Janeiro, 1856 a 1865. 20 V;

DICIONÁRIO HISTÓRICO - DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS
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MONUMENTOS DA CIDADE – REPORTAGEM PUBLICADA PELO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 1946, RJ.


Monumento ao jurisconsulto Teixeira de Freitas



Diário de Notícias. Monumentos da Cidade, Rio de Janeiro - 1946
 

A estátua de Teixeira de Freitas foi inaugurada, no antigo Largo de São Domingos, no dia 7 de agosto de 1905 e, a 20 de março de 1910, foi trasladada para o local onde se encontra no Silogeu na entrada da Praça Paris. A estátua, considerada um dos melhores trabalhos de Rodolfo Bernardelli, sobre um pedestal de granito, e quatro lances com três metros de altura, em pé em bronze, com as mãos cruzadas e tendo um livro debaixo do braço. O bronze mede 2 metros e 30 centímetros.
Nascido no dia 19/08/1816, em Cachoeira, Bahia, notável advogado e jurisconsulto do Império, dedicou-se como verdadeiro apóstolo e com acendrado amor à causa do Brasil, à elaboração da consolidação das leis civis e do esboço do Código Civil, obras que traduzindo o fulgor de sua genialidade, repercutiram na Codificação Civil da Argentina, Paraguai, Uruguai, Alemanha, Itália, Suíça, Rússia e outras nações. O grande jurisconsulto brasileiro Augusto Teixeira de Freitas, desde 1855, por dois anos, executou a tarefa de organizar a caótica legislação cível brasileira; os resultados de seus esforços foi a Consolidação das Leis Civis, primeiro passo no rumo da elaboração do futuro Código Civil. Mais tarde, entre 1858 e 1864, Teixeira de Freitas preparou o “Esboço”, em dois fascículos, com 4.908 artigos. Desgostoso com críticas feitas a seu trabalho, Teixeira de Freitas desistiu de sua continuação. O “Esboço” inspirou o jurista Dalmácio Vélez Sársfield, autor do Código Civil argentino. Em setembro de 1913, os estudantes da Universidade de Buenos Aires, em viagem de estudos no Brasil, colocaram no granito uma placa de bronze com a figura da mulher simbolizando a justiça, com a mão estendida sobre a tabuada lei. Nela, lê-se a inscrição:
“Al gran maestro del derecho Teixeira de Freitas, los estudiantes de la Comission Universitária, em viaje de estúdio, de la Faculdad de Ciências Econômicas de Buenos Aires – Setembro 1913”

Em 1880, Niterói mereceu a glória de ter sido escolhida para o seu último domicílio, aonde veio a falecer em 12/12/1883.

http://www.uff.br/direito/Grandes_Nomes_Definitivo.htm


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