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Pavão Mecânico - A medida que se mexe nele, a cauda vai mudando de cor.

Fabularium

Como figura mitológica, Fábula era divindade alegórica, filha do Sono e da Noite, esposa do Engano. Representavam-na ricamente trajada, o rosto oculto por máscara, e davam-lhe a incumbência de adulterar o que contava outra divindade alegórica, a História. La Fontaine, ligava o gênero que cultivava ao apólogo, explicando: " Fábula é uma narrativa na qual, sob o véu da ficção, vai envolta a moralidade, e cujos personagens são, ordinàriamente, os animais. O apólogo compõe-se de duas partes, a uma das quais poderemos chamar alma e a outra corpo: o corpo é a fábula, e a alma é a moralidade que dela deriva". Quanto a origem, parece que ela procede da Índia, século VI a.C., cujo fabulário, o Panchatranta, redigido em sânscrito, reúne várias histórias moralizantes.

Fonte: Extraído da introdução do livro s/autor, "Fábulas do Mundo Inteiro", Ed. Cultrix, São Paulo, 1963.

O PAVÃO QUE SE QUEIXAVA A JUNO
Maria Thereza Cunha de Giacomo (Trad.)

Queixava-se o pavão
A Juno e lhe dizia:
"Deusa, não é sem mágoa ou sem razão
Que me queixo e murmuro.

É tão rouco e obscuro
O canto que modula esta garganta
Que desagrada a toda a natureza
E, vede o rouxinol!! Quando ele canta
Tem sua voz tão límpida beleza
Que entre os outros gorjeios vibra e impera
Glorificando a própria primavera!"

E Juno lhe responde, envaidecida:
- "Cala-te, ave mesquinha e insatisfeita;
Não te cabe invejar a voz sentida
Do rouxinol. Não basta teres feita
Tua plumagem de irisadas sêdas?

Tu, que ostentas, vaidoso, em tua cauda
Tons de rubi, safiras e esmeralda
E que pareces, com teu brilho vário,
A vitrina de um rico lapidário,
Crês que possa existir ave tão linda
Que mais do que tu és o seja ainda?..

Que animal em si mesmo poderia
Resumir graça, força e galhardia?
A cada um de vós, um quinhão demos
De glórias - e diversos vos fizemos:
Uns têm, para seu bem, força e grandeza.

O falcão é ligeiro, a águia altaneira,
A gralha traz presságios de tristeza,
O corvo fala de destino alheio
E, diversos que são, desta maneira
Lhes basta o seu gorjeio.

Cessa, pois, tua queixa sem razão
Ou, para te punir, tirar-te-ei
O esplendor e a beleza que te dei
Na soberba plumagem de pavão!"

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